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CRY&S
PRÉ-HISTÓRIA DO CRISTIANISMO E FUNDAÇÃO DO REINO DE DEUS
EM NOME
DE JESUS CRISTO
PRÓLOGO
EU SOU A PORTA
CAPÍTULO
1 ORIGENS
CAPÍTULO
2 A CRIAÇÃO DOS CÉUS
CAPÍTULO
3 DE NOÉ A ABRAÃO
CAPÍTULO
4 DE ABRAÃO A DAVI
CAPÍTULO
5 DE DAVID A CIRO, O GRANDE
CAPÍTULO
6 CIRO, O GRANDE
CAPÍTULO
7 DE CIRO A CRISTO
EPÍLOGO
PRÓLOGO
EU SOU A PORTA
A
Memória do Homem, criado à imagem e semelhança do seu Criador, remonta a sua
história à Fundação do Cristianismo pelo Filho de Deus; é a partir da
Memória da Raça Humana, o Livro escrito pelo seu Pai, que a nossa
Inteligência eleva os nossos olhos para a Criação dos Céus e da Terra,
o nosso Universo, na cuja História descobrimos a Existência do seu Criador, sem
cujo Conhecimento o Homem, por si só, não pode penetrar no Conhecimento da
História do Cosmos. Fechada esta Porta pelo Acontecimento descrito no
Génesis, os homens, desterrados do Conhecimento de todas as coisas, para o qual
foram chamados pelo Verbo «Façamos o Homem à nossa imagem e à nossa
semelhança», mas com a inteligência ativa na Alma Humana, a incapacidade de
atravessar essa Porta levou os homens a inventarem um deus pessoal a partir do
qual visualizar o Cosmos e o Universo, religiões que impuseram os seus deuses à
força das armas, como se pode ver ao ler a História da Origem do Hinduísmo e do
Islão. A impossibilidade de encontrar essa Porta que abre o Conhecimento de
Deus e da Sua Criação à inteligência humana levou Deus a encarná-la na
Pessoa do Seu Filho, para que os homens buscassem Nele a Sabedoria.
Aqueles que a atravessaram ergueram-se entre os homens para serem os Pais da
Doutrina da Igreja, com os seus livros a afastar os povos cristãos das
religiões inventadas pelos homens, à imagem e semelhança dos deuses dos quais
foram criados os seus pais, eles próprios e os seus filhos — religiões sangrentas, das quais
as entranhas não podiam dar à luz senão homens à imagem e semelhança dos seus deuses.
A
Memória do Homem Cristão tem na Vinda do Filho de Deus a plataforma
histórica a partir da qual ergue os olhos para Deus, nosso Pai, e, a partir de Deus e
do seu Filho, entra na História do nosso Universo. Foi com a fundação do
Cristianismo que a Civilização começou a deixar para trás a Lei do mais Forte,
do mais Sanguinário, do mais Mentiroso, do mais Corrupto e Traidor do seu povo
e dos seus irmãos, e abriu caminho desde a Barbárie até às Primeiras
Universidades do Mundo, na Europa Cristã, com a Igreja Católica como
mecenas das Letras, do Direito, das Ciências e das Artes. Sendo a origem
de toda a alma um mundo, durante milénios, escravizado à lei da Guerra até
à Morte entre irmãos, ninguém podia esperar que, da noite para o dia, todos os
cristãos, sacerdotes e reis, acordassem santos. A História da
Cristandade Medieval defende melhor do que mil volumes esta realidade. O
espírito da profecia que habitou nos Apóstolos deixou-o por escrito: «A fé,
que se corrompe». A fundação da Casa de Deus no Género Humano ficou
sujeita, desde a sua Origem, a um Futuro aberto a tempestades, terramotos,
tsunamis, dilúvios e todo o tipo de ataques e cercos naturais, até uma guerra
aberta entre o Mundo Pagão e o Mundo Cristão. O Mundo Pagão seria
sucedido por novos exércitos ao serviço da Morte, tendo como horizonte de
vitória a destruição da Casa de Deus na Terra. O Império Romano teve
o seu sucessor no Império Islâmico. Duas forças distintas, um mesmo objetivo
histórico. No entanto, o Filho de Deus viu chegar o Anticristo, a força
fratricida interna que, nascendo no cristianismo, herdaria o espírito de
Caim. Arrio foi o primeiro de todos aqueles que, tendo nascido no seio do
cristianismo, se levantou contra o povo católico, declarando guerra à sua
Mãe, a Igreja Católica, da qual foi libertada da destruição por Constantino,
servo de Deus. A Palavra de Deus não mente: «As portas do inferno não
prevalecerão contra a Esposa do Senhor». Quinze séculos mais tarde, o Anticristo
emergiu do túmulo: primeiro vestido com um hábito de frade, para depois se coroar
sobre as nações europeias que, abominando a Coroa do Rei dos Céus,
se proclamaram chefes das igrejas nacionais, somando assim a
um crime civil um delito contra o Deus que fez do seu Filho o Chefe Universal de
todas as igrejas. A Guerra dos Trinta Anos estava servida. O mesmo fim
que tiveram o Império Romano e o Império Islâmico, a destruição do
Cristianismo, foi herdado por aqueles que, tentados pelo Diabo, não conseguiram
resistir à sua tentação: «Ajoelha-te e dar-te-ei todos os reinos do mundo».
Assim, o bastão do Império passou do Oriente para o Ocidente, voltou de novo para o
Oriente e regressou ao Ocidente; unidos ambos os impérios no mesmo ódio ao
mundo católico, protestantes e otomanos alcançariam a vitória que foi negada
aos romanos e aos muçulmanos. Onde repousam hoje ambos os impérios? O Verbo é
Deus: «As portas do inferno não prevalecerão contra a TUA Casa». É por isso que se
fala do Antigo Testamento, porque houve um Novo, assinado com o sangue do
Testador: «A tua Descendência tomará posse das portas dos seus inimigos». Assim,
se no Antigo Testamento Deus conferiu indestrutibilidade à Esposa do seu
Filho, no Novo concede invencibilidade à sua Descendência nascida desta
Esposa e do seu Senhor, o Nosso Pai Jesus Cristo.
A
Memória do Género Humano é a História da Criação do Homem enquanto
filho de Deus: «à imagem e semelhança do Primogénito de Deus», que se fez
Homem para que aquilo que, por nós próprios, não conseguimos, nem jamais teríamos
conseguido alcançar, o tivéssemos «connosco»; a Memória desse Acontecimento
é a Rocha, a Coluna sobre a qual se funda a nossa Vida.
A nossa
História começa noutro Mundo, remonta à Criação do Cosmos e penetra
no Ser de Deus, o seu Criador, pela mão do seu Unigénito, sem o qual, tal como nos
tempos antigos, ninguém conseguiu compreender a Origem do Cosmos, e para satisfazer
a necessidade de conhecimento universal para a qual o Homem foi criado, foram
inventadas cosmologias e deuses à imagem e semelhança dos quais justificassem os seus
genocídios, os seus crimes e as suas paixões fratricidas. Uma vez rejeitada pelo
anticristianismo a Mão do Filho de Deus, impôs-se entre as nações
a mesma lei antiga; fechada a Porta da Sabedoria Divina, os
homens inventaram um Universo à medida dos seus reis, um universo sujeito à
Lei do Mais Forte, aos pés do qual a vida e a existência dos Fracos devem
ser esmagadas em nome da Sobrevivência da sua classe e linhagem. O Anticristo,
o mesmo que antes veio oculto numa batina de confiança, surgiu imediatamente
após a Primeira Verdadeira Guerra Mundial, a Guerra dos Trinta Anos,
oculto no traje do cientista. Impedido o ateísmo científico de
abrir a Porta da Sabedoria, cuja chave está na mão de quem disse: «EU
sou Aquele que abre e ninguém pode fechar, aquele que fecha e ninguém pode abrir», no seu
Orgulho Animal, a Ciência abriu as suas entranhas à versão moderna de Caim e
Abel, Estaline e Hitler, os seus filhos, ambos filhos do mesmo pai, o Diabo,
Satanás, a Serpente Antiga. Sob o ódio mútuo, a destruição do
Mundo Cristão como objetivo de ambos, pelo qual lutaram perante os olhos do seu pai
Maligno para herdar o Cetro do Império, o século XX foi lançado nos campos
do inferno das Guerras Mundiais.
Esta é
a nossa História, a História de todos os cristãos da Plenitude das
Nações. Os nossos povos sobreviveram a terramotos, maremotos, dilúvios,
cerco infernais, guerras de genocídio, calamidades mortíferas de privação. NÃO
é obra nossa; a Vitória pertence àquele que fundou a sua Casa sobre a Rocha: essa Rocha é
o Verbo do seu Pai, YAVÉ DEUS, Criador da Luz do Cosmos e das Trevas
que o rodeiam. Na Palavra do seu Pai, o seu Filho depositou a sua Confiança. Nessa
Palavra, nós, a sua Descendência, depositamos a nossa Confiança, à sua imagem e semelhança,
uma Confiança todo-poderosa e indestrutível, a partir da qual sabemos que não importa
as Alianças das Civilizações que se renovem para derrubar a Casa do
nosso Lado, todos os seus ataques irão esbarrar contra as suas Muralhas, pelo que
quem tiver inteligência entre os seus inimigos compreenda que o ataque final que
estão a levar a cabo, erguendo uma Ideologia cuja Semente tem na Morte
a sua Origem, está destinado a ser arrancado e lançado ao fogo. Afaste-se todo aquele que
tenha inteligência dessa Aliança das Civilizações, sob cuja força
anticientífica e anticristã essa ideologia de género espera extirpar do
Homem e da Mulher a Imagem do Filho de Deus.
Que vos sirva
de lição a indestrutibilidade da Casa fundada pelo nosso Pai em nome
de Deus, para aqueles que, tentados pelo poder e pelas riquezas, acreditam que a Aliança
do Islão com o socialismo realizará o que nenhum império conseguiu nestes 2000
anos. A Aliança firmada entre Deus e o Homem pelo seu Filho, selada com o
Sangue de Cristo e dos seus Irmãos no Espírito Santo, já demonstrou a sua
indestrutibilidade. Retirem-se, pois, todos os homens e mulheres dessa Aliança das
Civilizações e abandonem essa Ideologia de Género sem olhar para trás; porque o
próprio Filho que conquistou uma Aliança de Indestrutibilidade para a Sua Esposa,
a Igreja Católica, conquistou como herança para a Sua Descendência a Invencibilidade;
uma vez nascida esta Descendência, a sua Glória vive na Palavra do seu Deus: «A tua
descendência tomará posse das portas dos teus inimigos».
PRIMEIRO CAPÍTULO
1
Origens.
Assim,
todas as coisas que nos afetam e que compõem a História da Plenitude das
Nações tiveram o seu início noutro Mundo, noutro lugar do Cosmos, num Mundo
situado para além das estrelas dos nossos Céus, mesmo no coração do
reino das galáxias. Ali, precisamente no centro da sua Criação, Deus criou
para si próprio um Mundo; o Mundo de onde o seu Filho desceu ao nosso, e para o qual
regressou após a sua Ressurreição.
«EU não
sou deste Mundo». Muitas vezes o Filho de Deus o disse, mas as suas palavras não
encontraram ouvidos que lhes prestassem atenção nem inteligência que compreendesse a sua
mensagem. Uma das vezes em que falou com maior clareza sobre o seu Mundo de
origem, fê-lo na presença dos seus juízes: «O meu Reino não é deste Mundo;
se o meu Reino fosse deste mundo, os meus ministros teriam lutado para que eu não fosse
entregue aos judeus, mas o meu Reino não é daqui».
Noutras
ocasiões, Jesus Cristo voltou ao tema da sua Origem e não hesitou em deixar claro
que Ele não é deste nosso Mundo, e que deixou o seu Mundo e desceu ao nosso para
nos libertar da Ignorância e conduzir-nos à Verdade. Sem a Verdade Universal,
o juízo crítico da inteligência não tem o Poder de abrir caminho para um Futuro num
mundo sujeito à Lei da Morte. Pois a Liberdade só se exerce
quando o Pensamento tem o Poder de julgar e escolher a direção da sua
Vida. Sem esta Verdade Universal, o futuro da Vida fica à mercê do acaso, das
circunstâncias, das coincidências, do karma, do caos criador da perfeição
Suprema, ou seja, a falácia das falácias no mundo das quimeras.
A Verdade
Universal é Divina tanto porque Deus a fez Sua, e Se tornou uma coisa
única com a Verdade, «EU sou a Verdade», como porque é Universal em si mesma.
«Pó
és e ao pó voltarás» foi a Lei do Cosmos durante a Eternidade das
eternidades. A Vida e a Morte eram as duas faces dessa Realidade
Cosmológica a que chamamos «A Não-Criação». A Não-Criação passou, a Criação
fez-se. A Morte e a Vida foram separadas. A Vida foi elevada à Natureza
Existencial do Criador.
Deus não
só se tornou uma única realidade com a Verdade Universal, como também acolheu no seu
seio a Vida: «EU sou a Vida». É a Sua Glória. A Sua Liberdade Criadora não tem
limites, a Sua Onisciência eleva a SUA Força até ao Todo-Poder e à Onipotência.
Porque, como todos sabemos, o Poder que nasce da força sem a intervenção da
Inteligência conclui a sua existência no caminho da destruição. Do que
todos somos testemunhas.
Não
só Deus viajou até ao núcleo das estrelas, das galáxias, da
Vida e da Morte, crescendo em todas as ciências, tornando-Se Onisciente.
O passo final que consagrou a YAVÉ DEUS como O CRIADOR, Causa Física do Novo
Cosmos, foi tornar-se uma só coisa com aquela Sabedoria da qual Ele nos
diz: «EU fui formado, e não haverá outro depois de mim». Pois quem é formado não
se forma a si próprio; daí se compreende que, ao dizer Deus «Façamos o Homem
à nossa imagem e semelhança», Adão fosse filho de Deus, ao mesmo tempo que se
compreende que, ao rejeitar Deus como Mestre do seu Espírito, o homem deve
recorrer aos animais para definir a sua existência, tal como Charles Darwin fez
ao definir a Humanidade pelo Poder da Destruição, cujo fruto foi
o canibalismo monstruoso do século XX, que pretende abrir caminho neste
século e colidirá com aquela Sabedoria Incriada que estendeu a sua Glória sobre
Deus e depositou nas suas Mãos os tesouros infinitos da Ciência da Criação
de universos e mundos. Essa mesma Sabedoria que formou o Único Deus da
Não-Criação e deixou nas Suas mãos a Vitória que só Ele poderia alcançar:
a Criação da Árvore da Vida Imortal; essa mesma Sabedoria, que encarnou numa
Mulher a Natureza da Relação Eterna entre Ela e Deus, tornou-se a Sua
Esposa. E dela teve um Filho. E foi este Filho que veio do seu Mundo para o
nosso, a fim de gerar em nós o Homem à sua imagem e semelhança, daí
que sejamos chamados filhos de Deus.
Na
História Universal Divina de Jesus Cristo, desenvolvi o tema da Origem desse
Mundo de onde veio o Filho de Deus. Recordei, na medida do
possível, as suas Crónicas, e segui o rasto das suas Guerras até ao ponto em que isso
nos afeta diretamente a nós.
Creio
ter dito então que Deus criou o Mundo de onde nos enviou o seu Filho
para ser a sua Casa, a sua Pátria, o seu País, a sua Propriedade, o seu Paraíso. E criou-o à sua
medida. Como fronteiras, deu-lhe o Amanhecer que voa sobre as asas do Infinito; como
futuro, deu-lhe a Manhã que sempre amanhece e vive para sempre nos olhos da
Eternidade. Ou seja, criou-o à imagem e semelhança da Ideia que vive no seu
Espírito sobre a Natureza e a Constituição do Novo Cosmos que se propôs a
erguer imediatamente após concluir a criação da sua Casa.
A Ideia
do Cosmos que Deus teve em mente antes de intervir na Realidade Universal
pode ser definida através de duas características principais. Primeiro, a expansão ad infinitum
das suas fronteiras; e segundo, a evolução ad eternum do seu
futuro.
Decidido
a conferir um Centro geográfico ao Novo Cosmos, Deus deu a esse Centro um
corpo, dotou-o de uma natureza própria, com a sua especificidade singular,
única e irrepetível.
Nascido
para ser o coração geográfico da Sua Criação, o Seu Mundo, o ponto de
intersecção entre os dois vetores não criados, o Infinito e a Eternidade, dotou o seu
corpo da indestrutibilidade natural do seu próprio Ser. O Seu Mundo, a Sua Casa, o Seu
Paraíso. YAVÉ, Deus, foi sempre um nómada na Eternidade, um aventureiro no
Infinito. E criou aquilo que nunca teve, o Seu Mundo, e criou-o sem limites de
meios nem falta de imaginação.
2
E assim
foi feito.
Como é que
Deus criou o Seu Mundo não importa. No caso da criação do nosso Universo, o
«como» importa sim. Na Introdução à Cosmologia do século XXI abordei este
tema. Na História de Jesus Cristo afirmei que já teremos toda a vida eterna
para conhecer este Mundo cuja Origem estamos a abordar. O que me leva a
afirmar o que já afirmei anteriormente noutro local: que há coisas que se encontram
dentro da nossa esfera de conhecimento e outras, como o Nascimento do Filho e
do Pai em Deus Incriado, que escapam à compreensão da nossa
inteligência.
Então,
Deus ergueu no coração do seu Mundo uma Montanha. E no seu cume ergueu uma
Cidade. Mas, sabendo que não são doze muros que fazem uma Casa, mas sim aqueles
que vivem no seu interior, sonhou com Irmãos, Amigos, Filhos. Tal é a origem dos
deuses do Céu.
3
Criação
do Cosmos
Reduzindo
a velocidade infinita o tempo de existência das galáxias que rodeavam o seu
Mundo, YAVÉ DEUS reduziu as galáxias a energia luminosa, criando uma explosão
de fogos de artifício de natureza cósmica, a que concordámos em chamar Big
Bang por razões de simplicidade comunicativa.
Comparemos
esta conversão à transformação de uma galáxia num canhão de feixes de
energia microfísica que atravessam campos «espacotemporais» à velocidade
«infinita». A diferença entre a velocidade inicial, igual à da luz,
e a velocidade infinita, para a qual a matéria elementar é derivada num campo de espaço-
tempo, transforma essa diferença em massa. Evidentemente,
a transformação da energia cósmica em matéria estelar não se estende até
ao infinito, devido ao limite da Implosão Astrofísica Natural a este processo
cosmológico de criação de Matéria a partir da Energia criada pela própria
Matéria.
Houve um
Big Bang Original, de entrada, e outro de saída (redução da matéria
astrofísica a energia cósmica e transformação da energia cósmica criada em
matéria astrofísica). E este processo criador repete-se nas fronteiras do
Cosmos, daí que os astrofísicos continuem a descobrir continuamente novas
galáxias e aglomerados galácticos.
DEUS YAVÉ
tem Testemunhas desta Criação. Também da Destruição do Cosmos Antigo;
os seus Irmãos, os deuses de Yavé e de Sião, são as suas
Testemunhas. Mas este Tema foi relatado na HISTÓRIA DIVINA DE JESUS CRISTO.
4
Os
deuses antigos
À medida que
o tempo foi passando, o Céu transformou-se num Reino, o Reino
transformou-se num Império. A Casa de Deus encheu-se de filhos, cada um deles rei
do seu Povo. Assim, após ter criado o Universo, Deus semeou a semente da Árvore da
Vida nas suas águas e, das suas profundezas, a Vida concebeu-lhe um Mundo, dois
Mundos, três Mundos, quatro Mundos, e foram até cinco os Mundos criados
antes do Sexto Dia da Primeira Semana da Criação. No Sexto Dia, Deus criou o
Homem.
Esta é
a origem dos filhos de Deus, os deuses de tempos muito antigos.
5
O Berço
do Homem.
Foram
cinco os mundos que Deus criou e transportou dos seus locais de origem no
Universo para o Seu Mundo, para o Seu Paraíso. O Homem ainda não tinha sido criado. Nem
ainda existia na Mente do Criador a ideia do Homem.
A quem
se questiona se há vida no Universo, responderemos que sim; nós estamos aqui. A
quem se questiona se houve vida antes de nós, responderemos o mesmo: sim, não
fomos os primeiros nem seremos os últimos. Se, então, nos perguntarem em
que estrela, em que parte dos Céus habitam esses outros Povos do Universo,
dizeremos que têm as suas Moradas no Mundo que Deus construiu para si,
aquele que está Lá em Cima e no Centro da sua Criação, o Mundo de onde Jesus desceu e
para onde Jesus Cristo regressou. Também nós teremos a nossa morada nesse
mundo, e lá em cima encontrar-nos-emos todos e partilharemos a vida eterna para a
qual fomos criados. No entanto, as notícias obrigam-nos, pelo que do futuro regressamos
ao passado, aos dias em que o Inferno semeou a semente da guerra no
Paraíso.
Foram
duas as Guerras Universais que devastaram o Paraíso, mas o Céu nunca foi
conquistado. As grandes batalhas pelo Trono do Rei dos reis e Senhor dos
senhores estão escritas no Livro da Vida; nas suas páginas descreve-se como
os Irmãos e os Filhos de Deus se mantiveram fiéis à Coroa do
Unigénito, destruíram a força do Dragão, o Eixo dos Rebeldes, e, ao abrir
o Selo da Fidelidade, os próprios elementos da Natureza do Céu se
colocaram ao serviço dos seus Braços, belos, invencíveis, sábios e fortes. Tal como
quem pede emprestado ao relâmpago o brilho e, com os seus lampejos nos
olhos, avança contra as trevas, ou como quem faz da sua
garganta a tenda do trovão e transforma o céu da sua boca no firmamento por onde corre o
cavalo dos ventos, ou como quem, com um chicote, pede emprestado ao raio o seu
mistério e, com as suas cordas elétricas, golpeia o dorso da Besta; assim, assim foi
o contra-ataque maciço e fulminante dos Irmãos e dos Filhos de Deus
contra as hostes do Inferno que, lideradas por Satanás, na ausência de Deus,
se levantaram contra o Seu Império.
Por duas vezes
o Dragão foi subjugado e capturado; e outras tantas vezes foram perdoados os
Rebeldes. Pois, no seu amor de Pai, Deus acreditou que, com o tempo, os seus filhos
rebeldes mudariam e, à medida que crescessem e amadurecessem, essa tendência para a
guerra se extinguiria. Mas, vendo que os acontecimentos exigiam que Ele tomasse
decisões revolucionárias: no sexto dia da primeira semana da Criação
do Universo, Deus concebeu na Sua mente o Homem.
CAPÍTULO 2
6
CRIAÇÃO
DOS CÉUS
Aconteceu, então,
que Deus gerou a partir do seu Ser; e na Paternidade a sua mente e o seu coração encontraram a
felicidade perfeita. Apresentou o seu Filho aos deuses, e estes adoraram-no.
Por fim,
Deus começou a criar o nosso Universo. As galáxias colocaram os seus campos de
estrelas ao serviço do seu Senhor; a partir dos cumes das suas cordilheiras, rios de
sóis abriram caminho pelas planícies siderais. Tal como quem, à corrente
impetuosa, fresca e alegre, coloca à frente uma onda
gravitacional, aqueles leitos luminosos começaram a descer das alturas das
galáxias do Aglomerado Local.
Esta é
a origem do Universo. Como cordas gravitacionais a arrastar um comboio de
sóis, de todas as magnitudes e cores, esses rios de estrelas
desaguaram no oceano dos nossos Céus. Foi assim que o nosso Universo foi criado.
Comparamos
as galáxias a altas cordilheiras, contra cujos cumes um canhão gigantesco
disparou obuses colossais até fazer com que, das suas profundezas, surgissem rios de
água luminosa. Agora, direcionamos esses rios para um leito marinho criado para
recolher este volume de água proveniente de diferentes cadeias montanhosas. Este
processo é o acontecimento que os filhos de Deus viveram durante a Criação
dos nossos Céus.
Se
compararmos agora as galáxias a balões quentes que, ao serem furados,
disparam parte do seu ar, e misturarmos os processos, obtemos cordas
gravitacionais que servem de leitos para rios de estrelas que desaguam num
leito previamente preparado para acolher na sua área estes rios de estrelas.
YAVÉ DEUS
cria o Leito Gravitacional e perfura as galáxias das quais emergem os rios de
estrelas que rasgam os espaços e vão desaguar no Mar de Energia
Gravitacional do qual se alimentará pela eternidade. Espetáculo maravilhoso,
nunca visto por nenhuma criatura, espetáculo divino para o qual fomos convidados
por YAVÉ DEUS, tal como lemos no Evangelho do seu Filho: «E criará obras maiores
do que esta, de modo que fiqueis maravilhados».
7
Criação
da Terra
Enquanto
Pai, YAVÉ DEUS considerou que, se não abrisse a Criação aos seus filhos, com o
passar do Tempo estes poderiam acreditar que o seu Paraíso não passa de um jardim zoológico
no qual eles são mais uma espécie, uma espécie inteligente, mas, afinal de contas, uma espécie animal
. Encerrados entre os limites do Paraíso, e aparentemente
encerrados entre essas paredes para toda a eternidade, Deus quis afastar da
mente dos seus filhos tal futuro. Assim, YAVÉ DEUS revolucionou o seu
próprio Mundo, abrindo o Ato da Criação de Mundos e Universos, reservado
até então ao seu FILHO JESUS, a todos os seus filhos.
O
Espectáculo da Criação seguiu o seu curso.
Criados
os nossos Céus, Deus abriu a Navegação através do Oceano das Galáxias.
O que é impossível para a Criatura, navegar pela floresta das galáxias,
porque a aproximação a velocidade Divina cria uma Floresta onde as árvores se
abrem para dar passagem e se fecham assim que o navegador segue o seu caminho, foi o que
viveram os filhos de Deus. Apenas o DEUS YAVÉ, para quem o Infinito é
o seu Universo, tem o Poder de alcançar as fronteiras do Cosmos e regressar ao
ponto de partida sem se perder no percurso de ida e volta. Galáxias que
correm, voam, reúnem-se, separam-se... Um espetáculo maravilhoso,
indescritível, inesquecível. E no final desta Viagem: «as Trevas que
cobrem a face do Abismo», cuja existência os filhos de Deus conheciam pela
boca dos Filhos do Céu. Pois todos nós, filhos de Deus, fomos criados
fora do Mundo que Deus criou para ser o seu Paraíso, mas Deus criou os seus
Irmãos do Barro do Céu.
Os
Irmãos de YAVÉ DEUS disseram aos filhos de Deus que, uma vez criado o Big
Bang Original, o Primogénito dos deuses, YAVÉ, O ÚNICO E VERDADEIRO DEUS,
destruiu o Cosmos Antigo, reduziu inúmeras galáxias a pó, transformou os
espaços infinitos num Abismo coberto por nebulosas de poeira e pedra que cobriam
a superfície de um Abismo privado de toda a energia. É sobre este Abismo que o
Novo Cosmos se expande até ao Infinito pela Eternidade, absorvendo toda a
matéria nebular proveniente da destruição do Antigo Cosmos.
Visão
avassaladora para quem, de repente, se sente lançado às profundezas daquele
Cemitério sem fundo onde jaz um Cosmos: eis o Inferno, «onde haverá
choro e ranger de dentes».
YAVÉ, DEUS,
conduziu os seus filhos para além das Fronteiras do Novo Cosmos, de onde
a sua Criação se assemelha a um oceano a transbordar pelos seus quatro
lados, cujas ondas criadoras se estendem sobre o Abismo como um tsunami
todo-poderoso.
Então,
Deus dirigiu um feixe de energia luminosa para o campo criador por Ele próprio
estendido nas Trevas, e começou a viagem dessa energia até à matéria,
cujo produto final foi a Implosão Astrofísica que deu origem ao Sol,
aos planetas e aos satélites que o nosso Sistema contém.
Maravilha
para os olhos e alegria para a inteligência! Lição de Onisciência Criadora e
Revelação ao vivo da Natureza do Criador, para nunca ser esquecida.
YAVÉ É DEUS. ELE CRIOU A LUZ E AS TREVAS.
A
passo a passo, Deus quis mostrar-lhes a Origem Física da Criação e o lugar de
Exílio para onde seriam lançados aqueles que voltassem a incendiar com o fogo da
Guerra o seu Mundo.
Feito
isto, criado o Sistema Solar, YAVÉ DEUS separou um planeta da sua família,
abandonou-o nas Trevas como quem se livra de um corpo sem futuro, e
transferiu o Sol e o seu Sistema para os Céus. Aqui, no seio de um meio
astrofísico, ainda sem carta de navegação interestelar, Deus abriu ao Sistema
Solar o seu próprio campo de movimento dentro de um aglomerado estelar aberto.
A
localização do nosso Sistema Solar no seio de um universo do tipo aglomerado
globular seria impossível para todos os filhos de Deus, uma vez fora dos
Céus.
Foi isto
que, de repente, fez YAVÉ DEUS. Deus reabriu a Navegação pela
Floresta das Galáxias em direção ao Abismo Exterior, onde abandonou
aquele planeta, em princípio um resíduo, como um aborto ocorrido durante a
gestação do Sistema Solar.
8.
A Luz.
Deus criou
o nosso mundo, fazendo emergir do seio das águas do oceano estelar os
Céus. Depois, criou a Terra. Mas primeiro foi a Ideia.
Na sua
Onisciência, o Criador não faz nada sem antes tecer na sua Inteligência o
Edifício a construir. Primeiro planeia, decide, traça linhas, calcula, supera
problemas, esclarece incógnitas, vê em movimento virtual o fim para o qual tende o seu
projeto, deixa-se guiar pela sua Sabedoria e depois passa à ação. Confia na
sua experiência para manter todos os processos sob controlo. Se, ao longo do
processo, algum elemento parecer escapar-lhe das mãos, age em
consequência, improvisa, toma as decisões necessárias e, sem desfigurar a Ideia,
mantém o movimento na direção original estabelecida.
Assim,
Deus criou a Terra nos confins do Cosmos, longe do Céu e dos
Céus, nas Trevas. Deu à Terra o Sol como esposo e os Planetas como irmãos e
irmãs.
O Sol,
a Terra e a Lua, e toda a família planetária, foram criados a partir de um único núcleo.
Criada a
família solar, Deus abandonou a Terra nas Trevas, naquela solidão tão
total e absoluta que a fez sentir-se «confusa e vazia», segundo nos conta
Deus no seu Livro. Pois aconteceu que, contra todas as expectativas, quando foi à
Terra, à qual fez todas as promessas de futuro, o seu casamento com o Sol
selado desde a própria Origem, selado com beijos no Berço, Deus levou
toda a sua família para longe, muito longe do Abismo coberto pelas Trevas, e
abandonou-a a ela, a Terra, à mercê das forças do Abismo. A escuridão
gelada de uma solidão invencível penetrou-lhe nos ossos, e de
tanto frio os dentes bateram-lhe.
Ai da
Terra, nascida entre promessas de maternidade à luz de risos, aplausos e
exclamações dos filhos de Deus. Bela na sua nudez, belíssima na sua pequenez.
Ai do sonho concebido para ela, como o da criança que vive do sonho da sua
mãe enquanto as suas ossos e a sua carne se tecem nas suas entranhas. Ai daquele sonho.
O frio congelou-lhe os ossos, os ventos que percorrem as Trevas
abalaram a sua carne trémula. Ai do meu sonho, ai da minha vida, que o meu Deus se foi
e me abandonou nas Trevas sem ninguém que me defenda! Por que me
abandonaste, meu Deus? Por que me prometeste o oceano, por que me fizeste sonhar
com o Oriente, o Ocidente, o Norte e o Sul, por que me sonhaste como mãe de tantos
filhos, as minhas mãos com asas, os meus cabelos coroados por uma diadema de nuvens repletas
de vida, os meus pés de neve a respirar primavera sobre vales verdes, por que me
alimentaste com mel se me destinavas como alimento este veneno amargo e
espesso? Ai, estou a morrer, ai, prefiro a morte a viver sem o teu sonho.
Assim,
quando o seu Grande Espírito regressou para a buscar, «a Terra estava confusa e vazia»,
porque o seu Criador não aparecia em lado nenhum. Quando regressou, a Luz
surgiu. Foi assim.
O Filho de Deus estendeu
o campo de forças que rodeia a Terra, e a sua superfície
transformou-se num mar de lava viva. Estamos a falar da Fusão da Crosta
Primária do nosso planeta. Das entranhas daquele mar de lava viva surgiu
a Atmosfera Primordial. Por fim, a crosta terrestre arrefeceu e aquela
atmosfera transformou-se num Manto de Gelo que cobriu toda a esfericidade
do nosso planeta, do polo norte ao polo sul. Esse Manto de Gelo é «a luz»
do Verbo do Primeiro Dia da nossa Criação.
Esta é
a origem da escala dos elementos naturais. (Na Introdução à
Cosmologia do século XXI, o tema da Física Criadora da Biosfera é abordado
com a devida profundidade).
Esta é
a História da Terra.
9
O
Firmamento.
O abraço
do Todo-Poderoso. Oh, o abraço caloroso do Todo-Poderoso. O calor dos teus
músculos, ó Deus, é o calor do primeiro beijo entre os cônjuges virgens, o
calor da primeira palavra do pai ao seu bebé; envolve-me no teu sopro, Deus
meu... Ai, a Terra, quantos versos, quantas linhas escreveu na sua solidão,
cada uma delas uma pomba branca a atravessar as águas em
busca do ramo de oliveira que mantivesse viva a esperança de Noé. A sua
alegria, o seu coração desenfreado, o seu pulso acelerado, os seus nervos vibrantes no dia
em que a luz do Grande Espírito do seu Criador brilhou resplandecente, atravessando o
campo das galáxias à velocidade do Seu pensamento! A Sua Voz calorosa, o Seu Verbo
ternura, ai, irmãos e irmãs, morro de vontade de banhar os meus ouvidos com o bálsamo
do eco das Suas cordas, quando a Sua Palavra rompe o Silêncio.
E assim
foi. O Grande Espírito regressou, o Filho de Deus abraçou-a, cobriu-a de beijos,
falou-lhe, e a sua confusão desapareceu num instante.
Envolvida
naquele Manto de Gelo forjado a temperaturas abaixo de zero absoluto, Manto de
Gelo resultante da Fusão da Corteza Primária e da Sublimação da
consequente Atmosfera Primordial, Deus separou a Terra das Trevas e
introduziu-a nos Céus. Conduziu-a ao encontro do Sol. No calor do
encontro, o Gelo derreteu-se e transformou-se em Ar e Água.
Sob o
Firmamento que separou as Águas que estão por baixo do Firmamento das águas
que estão por cima do Firmamento, dois blocos de Gelo iniciaram a sua retirada
em direção aos pólos Norte e Sul. E, desde então, o Firmamento continua lá,
separando as Águas dos mares de todos os dias das Águas gravitacionais
que preenchem o espaço exterior.
O
Firmamento no Verbo do Génesis é a Atmosfera resultante desta forma
de criação. Firmamento a que o Filho de Deus chamou «céu», o céu de todos os
dias, azul, vermelho, branco, amarelo, laranja, violeta, púrpura. Firmamento sobre
cuja arquitetura ainda teremos tempo de abordar, e ao falar do qual abordamos
a sua génese, deixando para outra ocasião os fundamentos da Biosfera, fundamentos
que nos conduzirão à definição dos elementos constitutivos da
Ecosfera.
10.
A Mão
de Deus.
Continuaram
sob o Sol, descendo as águas do oceano-mãe. E continuaram a descer até
atingirem o nível dos mares. Então, quando as águas se retiraram para
deixar que a Vida seguisse o seu curso, a marca da Mão Criadora ficou
gravada na rocha das dorsais oceânicas, e sobre a superfície da
marca dos seus cinco dedos a árvore das espécies lançou as suas raízes.
Esta é
a origem da vida na Terra.
11.
O mundo
das aves.
Os mares
encheram-se de criaturas, tantas que não cabiam na imensidão daquelas
águas que rodeavam o mundo.
O nível
das águas que se encontram sob o firmamento continuou a baixar e, por conseguinte, a
pressão a subir. Então, a Árvore da Vida atravessou a fronteira entre a
água e o ar, e o firmamento dos céus encheu-se de criaturas com asas e
bicos.
Outros
ramos tocaram terra firme, passando diretamente da água para a terra; mas o mundo pertencia
às aves, que punham os seus ovos na terra e estendiam-se para o interior
até aos confins das cordilheiras. Assim, quando os anfíbios começaram a
aventurar-se para além das margens e passaram a alimentar-se de ovos de aves
pré-históricas, a necessidade de vigiar o território gerou a transformação
revolucionária das asas em braços.
Esta é
a origem de todos os animais que dão à luz.
12.
Os filhos
de Deus.
Cresceram
os pais dos homens e as suas famílias nas florestas, a partir das quais, nas fronteiras
com o mundo dos dinossauros, viram os deuses descerem do céu. Os filhos
de Deus distinguiam-se das restantes criaturas porque andavam sobre as suas
pernas. E o poder que a sua palavra exercia sobre todos os animais era muito
grande. Despertou então nos homens um instinto único, o da
inteligência, e encontraram na capacidade natural de imitar os deuses o
caminho para o domínio do mundo. Foi por essa altura que os filhos de Deus
adotaram os homens como discípulos.
13
Mesopotâmia.
A terra do paraíso terrestre.
Deus
concedeu a cada um dos seus filhos, «não da nossa criação», uma zona de influência
na Terra. De acordo com o Selo que cada povo tivesse recebido do seu preceptor,
a Formação dos Cinco Povos originais, dos quais provém toda a raça
humana, daria origem a cinco culturas diferentes. O Projeto Divino consistia em
unificar essas cinco culturas numa única, da qual emergiria a conceção de
um reino mundial, pátria original de todos os futuros povos do género
humano. A coroa desse reino seria concedida por Deus ao Primeiro Homem que O
chamasse de Pai, e ninguém poderia atribuir a si próprio esse poder.
Assim,
este processo de formação dos povos da Terra, já em curso, com povos provenientes de
diferentes locais que se encontraram na Mesopotâmia — hoje chamada Iraque — nos tempos
atual, um número indeterminado de famílias. Criaram uma sociedade, ergueram
cidades, estabeleceram uma constituição social. Mas nunca se atribuíram o poder
de eleger um rei e iniciar, por si próprios, a obra de unificação de todos
os povos da Terra num grande reino. Seria Deus a concedê-lo.
14
Adão e
Eva.
E concedeu-o.
Movido pelo Deus dos deuses, um jovem
cidadão daquela Primeira Mesopotâmia abandonou a sua casa e a sua família. Terminou a sua jornada num recanto virgem
daquela terra banhada por quatro rios.
Deus
deu um novo nome ao seu escolhido: Adão. E, estando ali, revelou-lhe o Futuro
da Humanidade, tal como, na Sua Presciência, o tinha tecido na Sua Mente.
Fora do
Éden, a voz do Grande Espírito tinha difundido a mensagem. A escolha divina tinha
tido lugar. A entrada do rei na História foi uma visão de curta
duração.
Esta é
a origem de Abraão, pai de Israel.
15
O calcanhar
de Aquiles de Adão.
A
sociedade humana original não se baseava na propriedade, na
mentira ou na conquista do poder. Tudo pertencia a Deus, e os seus sacerdotes
armazenavam o fruto do trabalho no Templo para que fosse distribuído de acordo com as
necessidades das famílias.
A
palavra de um homem era lei. O homem, à imagem e semelhança do seu Criador, nunca
falava em vão.
Era aqui
que residia a força do Homem aos olhos do seu Criador, nessa inocência
que o levava a acreditar na palavra do seu próximo como se fosse a sua
própria. Até que chegou o filho da perdição e transformou essa força num alvo
para a flecha certeira da sua traição.
16.
Mais dura
seria a vingança.
Ai! Ai
da Serpente quando o Pai daquela criança regressasse. O Dragão seria
banido dos limites da Criação, onde o
não-ser vive uma morte que nunca chega, nem se vai. Os seus planos para obrigar o
Grande Espírito a transformar o paraíso num mundo de deuses para além do bem e
do mal estavam condenados ao mais absoluto fracasso.
Em Deus,
o Pai e o Juiz são um todo indivisível. Justiça e Amor são os dois Braços
do seu Grande Espírito. Para o Inferno quem ama o Inferno! Bendito seja Deus e o seu
santo espírito de justiça. Ele não suporta a visão de tudo o que temos
visto e ouvido, e por isso toda a Criação tem estado expectante, sonhando com o
Dia da glória da liberdade dos seus filhos, quando, à frente da sua Casa, o Rei
do Paraíso se erguer contra o que o Inferno semeou entre os filhos da
Terra.
Dançai,
guerreiros, a dança da vitória em honra do Invencível. Batem palmas,
ventos do Norte; percorrem os mares com a notícia, ventos do Oeste;
levem o grito da esperança àqueles que vivem nas sombras do Oriente:
Vem o Rei, rodeado de príncipes que brilham como sóis; o exército do
Paraíso de Deus volta a cantar no fim da Noite.
Sim, filhos
da Terra, ai dos Rebeldes pela terceira vez, pois encheram o cálice da
paciência divina; na sua loucura, quiseram transformar a água em veneno. Jurou
então o Grande Espírito que não retiraria a sua espada até que a sua lâmina caísse
sobre a cabeça do assassino e dos seus cúmplices amaldiçoados. Jurou pela sua honra e pela sua
glória que uma criança nascida daquela Eva herdaria a sua espada, a do Grande
Espírito, e com ela se cumpriria a Palavra de Deus: «Ele esmagar-te-á a
cabeça».
Não vedes,
filhos do Grande Espírito, a visão que o Guerreiro Eterno teve? Que braço
surgido do barro poderia erguer com o seu punho a espada do Herói das
galáxias que percorrem alegremente o infinito? A resposta está em vós, porque
ele esteve entre nós: O Braço de Deus, o Braço do seu Filho.
Ao contemplar a
visão do seu Pai, Adão levantou-se do chão e dançou sobre os restos do seu
desespero a dança dos heróis em honra do Campeão que o Grande Espírito
tinha escolhido para os filhos da Terra.
Esta é
a origem de Cristo.
17
A leste
do Éden.
Na
amargura do desespero que lhe rasgou a alma e lhe dilacerou a mente, Adão
viu a história da humanidade, desde o fratricídio até à última bomba que
explodiu na Terra e a reduziu a montanhas de pedra que se desvaneciam no fumo
das estrelas. Os horrores que viu assustaram-no de tal forma que lhe
foi impossível acreditar que o seu Deus e Pai permitisse tal tragédia.
Aconteceu
então que Adão não se enganou.
Deus
sentiu a traição de Satanás como uma facada pelas costas, como uma lança
em pleno coração. Com a morte do seu eleito, a Terra ficava à mercê de um Dragão
obcecado por impor o seu império de um extremo ao outro do mundo, mas, graças à sua
Onisciência e Onipotência, a Antiga Serpente acabara de assinar a sua
sentença de exílio ad eternum do Céu, da
Terra e de todo o Cosmos. Para sua glória, um filho desse mesmo Adão
elevar-se-ia até às nuvens, ergueria o braço e deixaria cair o Martelo da
Vingança sobre a cabeça do assassino de Adão.
Adão e
Eva também foram banidos para longe da sua pátria. Para onde ninguém pudesse
encontrá-los e matassem o Menino da Profecia. Foi como se tivessem sido
engolidos pela terra. Deus escondeu-os da ira dos seus irmãos entre os
povos das montanhas, habitantes de cavernas, os montanheses caçadores de
peles do Oriente.
Esta é
a árvore genealógica dos filhos de Noé.
18.
A
primeira guerra civil mesopotâmica.
Imediatamente
após a Queda, as cidades muito antigas — Ur, Lagash, Kish, Umma... —
nomearam reis, e cada rei lançou-se a concretizar a utopia do reino
universal recorrendo à força.
Os
anjos rebeldes abriram a Caixa de Pandora, deram-lhes o nosso mundo como campo
de ação, e o longo alcance dos seus tentáculos estendeu-se a todas as nações.
Estendeu-se também a Caim, que matou Abel numa tentativa desesperada de obrigar
Deus a conceder-lhe a glória do Vingador.
Consolados
pela Sabedoria, Adão e Eva educaram Set na Doutrina Messiânica dos
Patriarcas. Ninguém, exceto o próprio Deus, conhecia o momento do Nascimento do
Filho do Homem.
Quando
aquelas primeiras guerras fratricidas terminaram, os filhos de Sete regressaram à
pátria perdida e aprenderam a conviver com as outras famílias em igualdade,
sem nunca esquecerem a situação de guerra declarada entre o Céu e o
Inferno, nem o papel que lhes tinha sido atribuído nesse confronto.
O Primeiro
Homem que chamou Deus de Pai foi Adão; mas de forma alguma Adão seria
o último a quem Deus chamaria de Filho perante toda a sua criação.
Esta é
a origem mitológica do rei David
19.
Rumo ao
dilúvio universal.
As
crónicas conhecidas relativas ao período da Queda das Cidades-Estado e à Era
anterior ao Dilúvio são-nos transmitidas de forma enigmática nos arquivos
descobertos nos sítios arqueológicos do Médio Oriente. Falam de
crónicas reais, da origem divina da realeza. Coincidem com o Génesis
hebraico no que diz respeito ao acontecimento do Dilúvio.
Segundo se
deduz da história daquele mundo de mitos e heróis, as cidades-estado
compraram a paz a um preço muito elevado. A Força pela Lei entregou ao império
dos deuses antigos o cetro das Quatro Regiões. Estes, os deuses
maléficos e amaldiçoados que semearam a discórdia com as suas mentiras de um extremo ao
outro do mundo, sem medo, honra nem vergonha nas suas entranhas, não lhes tendo
bastado ter-lhe declarado guerra àquele a quem ainda chamavam Pai,
ofenderam-no até ao infinito, pisando uma lei sagrada e inviolável, contra cujo
crime insuportável o seu Grande Espírito sofreu em silêncio o indizível. Mas,
engolindo o seu orgulho, com o sangue a ferver, o Divino Guerreiro suportou o
sofrimento, acumulando na sua alma o fogo no qual arderiam eternamente
aqueles demónios perversos e amaldiçoados.
Porque se
um pai, por amor a um filho, permite que esse filho mate os seus outros irmãos, esse
pai é o demónio maléfico e perverso de cujo seio surgiu tal filho maléfico.
Longe da Paternidade Divina tal conduta criminosa!
Em silêncio,
com os dentes cerrados, os nervos em tensão, Deus sofreu o indizível no
dia em que pisaram a sua lei sagrada sobre a proibição do cruzamento de raças
cósmicas. Ao unirem-se Satanás e os seus irmãos amaldiçoados às mulheres humanas,
estas deram à luz criaturas meio humanas, meio demónios que, uma vez devastadas as suas
entranhas por uma imortalidade que lhes era negada, semearam o mundo de
destruição, transformando as terras num campo de devastação onde obter
dos seus pais demoníacos, à base de sacrifícios humanos, a imortalidade que lhes
era negada.
Eles,
os heróis de tempos muito antigos, foram os fundadores das religiões sangrentas
que assolaram as terras e compararam os nossos pais a bestas,
sacrificando vidas humanas no altar das suas paixões impossíveis, na
busca da fonte da juventude eterna. Enlouquecidos pela sua condição, nem
divina nem humana, semearam o mundo com aquelas guerras e violências gratuitas
que os Antigos registaram nos seus contos e lendas, quando, por amor a
uma mulher, um homem era capaz de incendiar uma cidade inteira, como se,
no mundo, aquela Helena tivesse sido a última mulher sobre a face da Terra.
Selvagens, monstros gerados de sementes amaldiçoadas, os heróis de tempos muito antigos
nasceram para morrer, arrastando consigo para a sepultura todos aqueles que os
rodeavam, como se manifesta nos túmulos dos Ra e dos Amon do Egito.
Não
conseguindo suportar mais a presença daquele mundo onde a bestialidade impôs
a sua norma, Deus optou por pôr fim àquela obra, derrubá-la e
começar uma nova. Se o Dilúvio afetou todos os continentes da mesma
forma e no mesmo momento é assunto para outra história. Se assim foi, cada
povo sofreu-o à sua maneira.
CAPÍTULO 3
20
De Noé a
Abraão.
As
análises de carbono indicam que a data do Dilúvio deve situar-se por volta do
início do terceiro e do final do quarto milénio a.C. A
reconstrução da história a partir da arqueologia vem reforçar este testemunho.
Muitos
se salvaram do desastre e recomeçaram do zero. Durante aquele
processo de reconstrução internacional, os filhos de Noé desempenharam o papel do
guerreiro que desce das montanhas para o anfiteatro das vaidades babilónicas. A
estrutura do mito acádio, uma cópia da estrutura do mito hebraico, não é por
casualidade que muitos historiadores tenham acreditado descobrir no Gilgamesh do mito
sumério a ligação judaica.
Recordemos
que Deus prometeu aos filhos de Noé, olhando para o Filho do Homem, a
invencibilidade como regra.
«A
tua descendência tomará posse das portas do Inferno», disse-lhes Ele. Promessa
maravilhosa e fantástica, na qual o Pai de Adão reafirmou o seu juramento
de vingança contra os príncipes do Inferno.
Já
estavam os demónios amaldiçoados — que outrora foram anjos abençoados — a celebrar a
destruição do mundo, e já se regozijavam com a vitória final sobre o «filho
de Eva», de quem já se riam antes mesmo de ver o seu Nascimento, quando aquele Rei
silencioso e desconhecido, cujo Grande Espírito não demonstrava qualquer sentimento de
fracasso, ergueu a cabeça e, abrindo a boca, para vergonha e
confusão daqueles que já celebravam a vitória não alcançada, repetiu o seu
juramento abençoado: «O Filho do Homem esmagar-te-á a cabeça; dança enquanto
podes, maldito».
Noé e os seus
filhos desceram das Montanhas do Leste em formação de exército. (Não esqueçamos
que ao guerreiro dos guerreiros, Gilgamesh, é atribuída uma origem montanhosa
nos textos cuneiformes). Os filhos de Noé viveram nas cidades,
cresceram e multiplicaram-se. O clã original expandiu-se pelas cidades de
Nippur, Uruk, Ebla, Kish, Lagash, Umma, Ur
Em Ur, da
III.ª dinastia, viviam os pais de Abraão quando a loucura egocêntrica levou
o rei de Ur a atribuir a si próprio a imunidade constitucional que se supunha ser dos
deuses. Mas vamos reconfigurar, em linhas gerais, a sucessão desses
acontecimentos.
De acordo com os
elementos arqueológicos à nossa disposição, podemos situar a data do
Dilúvio no final do Quarto Milénio e início do Terceiro. O chamado
Período Protodinástico situa a sua origem em 2.900. Esta localização obriga a
colocar entre a catástrofe e o renascimento das populações um par de
séculos de intervalo.
A cidade
de Kish foi a primeira a emergir das águas e a eleger um rei. Pouco depois, a cidade
de Uruk entrou em cena, contribuindo para a história com as aventuras do seu herói
e rei, Gilgamesh.
Após a
morte de Gilgamesh, a cidade de Kish voltou a empunhar o Bastão do Império,
atuando o seu rei entre as cidades vizinhas como árbitro e juiz das suas disputas.
O poder passou para Ur e, posteriormente, para a cidade de Lagash, situando-nos assim no
século XXV a.C. Para, finalmente, cair nas mãos da cidade de Umma, cujo rei
herói reivindicou para si o império do Éden.
Império
que duraria pouco tempo para Umma. Foi-lhe arrancado das mãos pelo jovem Sargão,
copero do rei de Kish. Sargão rebelou-se contra o seu rei, fundou a sua própria
cidade imperial, Acad, e a partir de Acad partiu para conquistar o mundo.
E
conquistou-o.
Os seus filhos
reinaram aproximadamente de 2278 a 2193, quando os Primeiros
Bárbaros invadiram o império do Éden e espalharam a sua anarquia de um
extremo ao outro das Quatro Regiões.
A queda
do império de Acad devolveu o protagonismo às cidades clássicas, entre
as quais Lagash voltou a assumir o primeiro plano sob a liderança do famoso e
lendário Gudea. Mas não foi este Gudea quem libertou o País do império dos
Bárbaros, mas sim a coligação das cidades do Sul liderada pelo rei de
Uruk, sob cuja bandeira devemos situar os avós de Abraão.
Aconteceu,
portanto, que, após a derrota dos bárbaros gutis, o chefe Utukhegal quis
proclamar-se imperador, o que ao chefe Nammu e ao seu conselho de príncipes de Ur não
agradou nada, e declararam-lhe a lógica guerra de independência. Sob esta
bandeira, de facto, podemos situar os pais de Abraão.
Encontramo-nos
na fronteira entre os dois milénios, o Terceiro e o Segundo a.C.
Observamos,
no entanto, que antes da descoberta das Cidades Perdidas da Suméria, na
segunda metade do século XIX, ao falar de Nínive, Ur, Kish, Akkad, Lagash,
etc., estas cidades e o seu mundo, que fazem parte do Mundo
Profético-Antigo Testamento, essas cidades e o seu mundo, na opinião da
Ciência do século XVIII e início do século XIX, nunca existiram, sendo o Génesis de
Moisés e os livros dos Profetas, que remontam até Nabucodonosor e para trás,
pura invenção literária, um conto de velhas lendas mitológicas que os israelitas
inventaram do nada, e que os cristãos resgataram para manter na
trevas as nações, das quais a Ciência iria libertar todas,
especialmente no auge do século XX, data que os cientistas marcaram
como a data da morte do Cristianismo.
Mas, devido a
um daqueles acontecimentos que nunca deveriam ter ocorrido, mas que
ocorrem, uma geração de cientistas loucos, como se estivessem investidos do poder de
Jesus Cristo para ressuscitar os mortos, começou a ressuscitar as Cidades
Perdidas da Suméria que, até então, não passavam de contos de velhas.
Os
Sayce, Maspero, Rawlingson, etc., derrubaram a dialética do materialismo
histórico do século XIX com a Nova Ciência da Interpretação das
línguas resgatadas do túmulo: o sumério, o hitita... onde repousavam
Nínive, Ur, Kish, Lagash, Acad... as cidades protagonistas da Lista Real
suméria.
A
relação entre os anos de vida das Genealogias Bíblicas e os anos de vida
dos reis desta Lista foi e continua a ser um daqueles fenómenos que nos deixam
de boca aberta.
Recordemos:
A coroa
desceu do Céu. Eridu foi a cidade real escolhida
pelos deuses.
Alulim,
(Adão), o primeiro dos reis da Terra, reinou durante 28 800 anos.
Dumuzi, o
Pastor, durante 36 000.
Estes três
reis somaram um total de 108 000 anos. Quando Bar Tibirá caiu, a coroa passou para Larsa.
Ensipadzidana reinou em
Larsa durante 28 800 anos. Logo a seguir, Larsa caiu e Sippar assumiu o lugar
Enmendurana assumiu
a coroa e reinou durante 21 000 anos.
Sippar caiu, por sua vez, e Churrupag sucedeu-lhe.
Ubar Tutu
reinou em Churrupag durante 18 600 anos.
Oito reis
para cinco cidades durante um período de 241 200 anos. Imediatamente, o
Dilúvio Universal apagou-os do mapa.
CAPÍTULO 4
21.
Abraão.
A
estrutura dos factos permite-nos acreditar que Naor, avô de Abrão, foi um dos chefes de Ur que, sob a liderança de
Utukhegal de Uruk, libertou o país da anarquia em que os
bárbaros o tinham mergulhado.
Mas
vamos interromper esta narrativa para destacar o fenómeno do tempo. Fala-se de
milhares de anos para uma dinastia e um reinado. É o mesmo fenómeno que observamos
nas genealogias bíblicas dos Patriarcas anteriores a Noé.
Fenómeno
que nos mostra duas coisas; a primeira, que o método de contar o tempo daquelas
gerações do Quarto Milénio e do Quinto Milénio a.C. não é o método
que, a partir do Terceiro Milénio, conhecemos e pelo qual nos
regemos atualmente.
E a
segunda coisa é que: a partir desta ligação, compreende-se que o povo do
Primeiro Reino conhecido pelo nosso mundo, cuja coroa recaiu sobre Adão, o Alulim
sumério, pai de Noé, e os sumérios eram o mesmo povo, do qual a
descendência de Noé se separou até criar a sua própria nação.
Dito
isto, voltemos à linha do tempo.
Depois de
os Gutis terem sido derrotados pela coligação liderada por Utukhegal, Teraj, pai de Abrão,
seguindo esta linha, participou na coligação dos príncipes de Urque sob
a liderança de Nammu, que se levantou contra a tirania à qual Utukhegal mais tarde
se entregou.
A
vitória da coligação de Ur permitiu aos filhos de Nammu conquistar a
coroa. Uma coroa que não tardou a sucumbir ao paroxismo da perversidade
quando o seu sucessor, Shulgi, se autoproclamou deus na terra.
Digamos
que se regressou subitamente aos dias anteriores ao Dilúvio, quando os heróis
de tempos muito antigos proclamavam ser filhos autênticos e genuínos dos deuses e
reivindicavam para si todos os direitos da divindade. Não foram as suas
religiões e os seus feitos que conduziram as nações à ruína?
Sob o
reinado dos filhos de Nammu, com Shulgi e os seus irmãos a reinar em Ur, o nosso
Abraão abandonou a sua cidade natal. Incapaz de suportar por mais tempo aquela
egolatria, Abraão abandonou Ur. Curiosamente, sem encontrar resistência.
Os factos
deixam pouco espaço para dúvidas.
Pela
força que posteriormente demonstrou o exército de soldados pastores sob o comando
de Abraão, tudo indica que o filho de Teraj esteve no olho do furacão da
guerra civil que a divinização de Shulgi desencadeou. Se o seu Deus não tivesse
intercedido, o filho de Teraj teria certamente liderado o golpe de
Estado contra o filho de Nammu. A situação em Ur teria sido então bem diferente. O
exército do filho de Teraj teria decidido o destino da cidade.
Quando
, portanto, Abraão abandonou Ur, o filho de Nammu viu partir o seu inimigo mais
perigoso. O exílio voluntário do filho de Teraj reduziu a oposição à sua
dinastia ao mínimo possível.
E foi assim
que, à frente de um poderoso exército de guerreiros-pastores, Abraão subiu pelas
margens do rio Ocidental, sem que ninguém se atrevesse a enfrentá-lo. Entrou na
Síria pelo norte, uma terra de ninguém aberta ao pastoreio e ao banditismo.
Diz a
Bíblia que Abraão lutou até contra cinco reis ao mesmo tempo. E triunfou sempre.
E continuou a triunfar. Nem mesmo o Faraó se atreveu a levar a cabo a sua ousadia. O que
foi que restou do seu anunciado casamento com a mulher do Filho de Noé? Um exército de
homens endurecidos no campo de batalha, que se move ao som da palavra de
um único homem — desde quando é que se diz que um inimigo é fácil!
Quanto
à data aproximada da peregrinação de Abraão e do seu filho Isaac pelas
terras do Médio Oriente, as fomes de que fala a Bíblia e as
fomes que assolaram o reinado dos filhos de Nammu, especialmente durante
o reinado de Ibbi Sin, entre 2028 e 2004, servem-nos de ponto de
referência na linha do tempo.
A
presença de Abraão e do seu filho entre os amorreus, povo inimigo de Ur, com
os quais as relações de Abraão se regiam pelo princípio de «o inimigo do meu inimigo
é meu amigo», abre-nos os olhos para a situação geopolítica em que se movia o
pai de Isaac. Além de nos confirmar os limites cronológicos entre os
quais situámos Abraão e o seu filho.
22.
Israel.
Incompreensível
uma decisão que poderia ter manchado a sua reputação com a fama dos
covardes, Abraão preferiu a sabedoria do seu Deus à dos homens. A sua
posição teológica não admitia mutilações nem revisões. A hora do filho de
Eva ainda não tinha chegado. Esta era a sua verdade. O resto — acreditar que a história do
Paraíso Perdido era apenas isso, uma lenda antiga — foi, para Abraão,
uma tentação de Satanás.
De
facto, a impaciência foi a mãe do pecado de Caim. A ignorância, e não a
sabedoria, foi o motor do seu crime. Aquele que jurou vingança reservou-se o
direito de marcar a data do combate até à morte entre o Filho do Homem e
Satanás. Cabe a Deus dizer o quando e o como. Ele diz e toda a criação
escreve: «E assim foi feito.» Na sua palavra está a vida.
«Conta
as estrelas do céu, se puderes; assim de numerosa farei a tua
descendência».
Onde
estão os descendentes da Casa de Nammu?
Após
a morte de Isaac, ainda em vida de Jacob, pai de José, a fome voltou a
assolar as terras do Antigo Oriente Próximo. Durante aquelas fomes que
assolaram o universo conhecido, foi-nos descoberto nos papiros o
estabelecimento de um poderoso clã hebreu junto ao Nilo.
A
«Conexão Judaica» apresenta José nos movimentos sociais que as fomes
provocaram na corte do Faraó.
Com José,
a Providência entrou no Egito. Entende-se que, em sinal de gratidão, o Faraó e
a sua corte permitiram que os irmãos da Providência se instalassem na
margem do Nilo que mais lhes agradasse.
Com a
Providência em casa, adeus aos tempos difíceis.
23
Moisés.
Localizámos
o período abraâmico durante a III Dinastia de Ur, entre os dois
extremos do século XX. E vimos como, nos registos faraónicos
do Império Médio, durante o reinado de Amenemhat II, entre 1929 e 1895, as
tribos asiáticas começaram a penetrar no Egito, avançando cada vez
mais para sul.
Foi nas
crónicas de Sesóstris II, sucessor do anterior, que já se encontra um registo
firme desta imigração de tribos asiáticas para o império. Mas o ponto de
interesse que nos chama a atenção são as fomes que assolaram o Egito
durante o reinado de Mentuhotep III. Fomes que nos ligam à
História de José, permitindo-nos situar a chegada dos hebreus ao País
do Nilo no início do Segundo Milénio.
A
importância desta ligação reside na resposta que exige o acontecimento
do estabelecimento de tribos de criadores de gado no reino dos faraós, que eram agricultores.
O facto da ruptura com a cultura faraónica tradicional, da rejeição em relação
aos povos nómadas e criadores de gado, abre-nos os olhos para uma mudança que só se
explica pela revolução que representou a presença de José na corte do
Faraó. Sem ir mais longe, será durante este período que o Faraó adquirirá
todas as características clássicas, tão típicas das estruturas imperialistas
asiáticas, e se produz a unificação dos dois Egitos.
É
compreensível, portanto, que até à chegada daquele faraó que não conheceu José,
os hebreus tenham beneficiado de uma política de amizade privilegiada, graças à
qual, à medida que cresciam, expandiram os seus assentamentos mais para sul, ao preço, claro
que sim, de abandonarem a tradição pecuária dos seus antepassados.
Como
rápido, então, se esquecem os maus tempos! Ao virar a esquina, os filhos dos
salvadores tornaram-se os pais dos escravos que fizeram
grande o Império do Faraó e, com o passar do tempo e outras voltas de
esquina, acabaram por significar a ruína dos egípcios. Mas vamos por
partes.
A
política de amizade para com as tribos do Médio Oriente que os faraós das
XII.ª e XIII.ª dinastias seguiram atraiu outro povo para o seu império. Estamos
a falar dos hicsos. E será no golpe de Estado que estes hicsos deram
que devemos procurar o faraó que não conheceu José e que puniu os
hebreus pela sua recusa em apoiar a tomada do poder… com a escravatura!
A
decadência que a corte faraónica sofreu durante a XIV dinastia abriu
as portas do poder ao povo que se encontrava entre eles, os hicsos, poder
que os egípcios só recuperariam depois de o exército hicsa ter perecido,
afogado nas águas do Mar Vermelho.
Desta
forma, se considerarmos a linha do tempo e situarmos a entrada dos hebreus
em algum ponto do século XX, a sua saída, quatro séculos mais tarde, situar-se-á
por volta de meados do século XVI, data, precisamente, em que ocorreu a
queda dos hicsos e a reconquista do trono perdido pelos Ramsés.
24.
Josué.
A
inocência, digamos-o sem rodeios, não foi o calcanhar de Aquiles de Josué. Como na Idade
do Bronze eram os metais que falavam, e sendo ele um perfeito conhecedor da linguagem
das armas, Josué conduziu a conquista da Terra Prometida de vitória em
vitória.
«Nesse
período, nos séculos XV e XVI a.C., uma maré de povos em movimento
revolucionou o status quo do Oriente Próximo
pré-cristão», nas suas palavras, com a sua forma de negar sem deixar de afirmar, de
afirmar negando, diz-nos a História Oficial.
O que
aconteceu foi que Josué e os seus hebreus arrasaram tudo. A conquista da Palestina bíblica
por uma onda de guerreiros-escravos deveu-se à necessidade de semear o terror que
antecedeu a debandada.
A
notícia da libertação dos hebreus tinha de espalhar — e espalhou — o terror
a oeste do Jordão.
Comparemos
esta Rebelião dos Escravos Hebreus do Egito com a Rebelião de Espartaco
contra o Império Romano e compreenderemos a natureza da onda de pânico que
se espalhou pela Itália, amplificada, neste caso, pela Queda do Faraó Hicsa.
A partir da
nossa posição confortável, três mil e quinhentos anos depois, resumimos a notícia
dizendo que os escravos egípcios se tinham rebelado contra o Faraó, tinham-se
vingado da morte das suas crianças e tinham derrotado, nas margens do
Mar Vermelho, os exércitos do senhor do Nilo. Tinham passado para este lado do
Sinai e vinham conquistar as terras do Jordão, liderados por um chefe
militar que não conhecia a misericórdia. A sua mensagem para todas as cidades-
estado a oeste do Jordão era inequívoca: fugir ou ser destruído.
Isto
do nosso ponto de vista. Mas, na mentalidade daqueles povos da
Palestina bíblica, as notícias eram outras.
Como se
fossem descendentes da desaparecida Atlântida, um povo tinha
surgido das profundezas do mar. Aqueles filhos do oceano acabaram com o
império dos faraós hicsos e agora dirigiam a sua conquista para o Leste com
um único propósito: destruir pelo simples prazer de destruir. Afinal, quem é aquele que derrota um
exército imperial e, em vez de se apoderar do seu reino, dá meia-volta? Tinham
atravessado o Sinai para arrasar, destruir e devastar. Esta notícia gerou
terror na Palestina Antiga.
Então,
a maré conquistadora hebraica transformou-se no impacto da rocha sobre as
águas, e das suas profundezas emergiram os filisteus. No entanto, a entrada
dos filisteus em cena só se daria no final da lenda,
quando, finalmente, os povos asiáticos descobriram que os hebreus não eram
monstros, filhos da Atlântida, mas homens como todos os outros.
Recapitulemos
como estava o mundo cinco séculos depois de Abraão.
O
colapso da Dinastia de Nammu, a Terceira de Ur, deixou o Bastão do Império à
mercia do aventureiro mais ousado. Na cidade de Larsa, o seu rei Gungunum colocou-se
à frente dos Estados mesopotâmicos, dominando a cena no último terço
do século XIX.
A sua morte
deu asas aos reis de Isin, que viram fracassar a sua tentativa de recuperar
a hegemonia perdida e tiveram de sofrer a divinização dos filhos de
Gungunum. Uma teocracia sui generis, tão típica das eras mesopotâmicas, que
acabaria por colocar a Babilónia de Hamurabi no primeiro plano.
Durante
algum tempo, ainda no século XVIII, a Assíria de Shamsi Adad, a Larsa de Rim
Sin e a Babilónia de Hamurabi travaram guerras entre si e com o resto do mundo
pelo Império. Ao atingir a metade do século, Hamurabi impôs a sua lei e,
novamente, o País do Éden ficou nas mãos de um único homem. Um domínio imperial de
curta duração, uma vez que, em 1595, a dinastia de Hamurabi chegou ao
fim e o país regressou à anarquia que lhe era tão característica.
A
ascensão de um novo povo ao poder, os casitas, serve-nos para alargar o
horizonte e perceber, no cenário geopolítico, a existência de um reino forte, o
hitita, que, juntamente com o mitânico e o egípcio,
se repartirá os papéis que, até então, tinham sido desempenhados pelas
cidades-estado.
O
pormenor que nos chama a atenção e nos faz perceber a importância da
Conquista da Terra Prometida é comprovado pelo facto de nenhum destes três reinos ter conseguido
ultrapassar as fronteiras traçadas por Josué. De facto,
os famosos«Hapirus», ou hebreus, ganharam fama
de adversários temíveis nas fronteiras do reino mitânico.
Situação que viria a mudar com a avalanche filisteia, que não só derrubou as
muralhas do reino hitita e abateu os limites do desaparecido reino de
Mitani, como foram os primeiros exércitos conhecidos a enfrentar
os hebreus com esperança de vitória.
Os
exércitos do famoso rei assírio Tiglate-Pileser I, mesmo
tendo chegado às costas fenícias, também não se atreveram, ou não conseguiram
ultrapassar as Fronteiras de Josué. Seria no século XI que, uma vez destruídos os
reinos clássicos desta segunda metade do segundo milénio, essas fronteiras fossem
pisoteadas e o próprio povo hebreu fosse levado à beira da destruição pelos
mesmos destruidores dos hititas. A intenção natural dos filisteus de se apoderarem
do terceiro reino da época, o egípcio, tinha de passar pelo cadáver dos
hebreus. Algo difícil de concretizar enquanto o Deus de Moisés estivesse com eles.
Se, no seu
tempo, os hebreus libertaram os egípcios dos hicsos, agora iriam salvá-los dos
filisteus.
CONCORDÂNCIA
ENTRE OS ACONTECIMENTOS DO ORIENTE PRÓXIMO DURANTE A SEGUNDA PARTE DO
SEGUNDO MILÉNIO A.C., A FAVOR DO ÊXODO NO SÉCULO XVI A.C.
1750. Os
hicsos conquistam Avaris
1595. Fim
da primeira dinastia da Babilónia.
Murshilish I, neto
de Khattushilish I, destrói Aleppo e a Babilónia.
1573-1550
Os egípcios expulsam os hicsos
Êxodo e
Queda de Jericó
A
cronologia definitiva da época do Médio Oriente em relação à História da
Bíblia permite-nos traçar os acontecimentos a partir de uma nova perspetiva. A
desmembramento da cronologia do corpo da arqueologia, com o objetivo de separar
a História Universal da História Divina, causou, no final do século XIX d.C., um
deslocamento dos factos que levou a situar o Êxodo no século XIII
a.C.
A
impossibilidade de harmonizar os acontecimentos relatados na Bíblia com o nosso
conhecimento da civilização e da cultura faraónica egípcia impede-nos de atribuir
um caráter de transcendência histórica a uma cronologia oficial cuja origem é
antibíblica.
O primeiro
fator que invalida tal deslocamento do nascimento de Moisés para o século
XIII a.C. tem na endogamia monolítica da Casa Faraónica a sua chave
mestra. Acreditar que uma dinastia imperial fundada na endogamia fechada da
família faraónica pudesse admitir no seu seio o filho de uma escrava, como
foi o caso de Moisés, é negar todo o conhecimento acumulado sobre a
mentalidade da dinastia faraónica.
Na verdade,
é preciso estar profundamente enraizado no anticristianismo mais feroz para,
contra a própria inteligência, fechar os olhos e ignorar tal
barbárie.
Seria inútil
tentar reconstruir a mentalidade endogâmica faraónica que
vimos na sua forma mais brutal na história de Cleópatra VII.
O
racismo é algo novo. Os povos antigos não compreendiam o racismo tal como
nós o compreendemos. Mas acreditar que um hebreu, filho de escravos, pudesse ser
adotado, em pleno século XIII a.C., pela Casa
Faraónica como príncipe é, na verdade, exigir que nos cortemos a cabeça ou que
nos desprendamos do cérebro.
Sob a
natureza endogâmica faraónica que permaneceria em vigor durante a era
ptolemaica até dar o seu último suspiro em Cleópatra VII, abrir ao Moisés do
Êxodo as portas da Corte do Faraó do século dos Ramsésidas é voltar à exigência de nos deixarmos arrancar o cérebro. Ou bem nega-se
qualquer realidade à história deste herói bíblico, ou nega-se a cronologia
oficial do Êxodo, que situa a travessia do Mar Vermelho algures no século
XIII.
Perante
a mentalidade endogâmica faraónica, não há outra escolha possível.
Um facto
semelhante, a adoção de um escravo por uma princesa faraónica, só
poderia ter lugar na corte dos reis hicsos. Provenientes ambos, o israelita
hebreu e o povo dos hicsos, do mesmo tronco, dois ramos do mesmo fenótipo
asiático-mesopotâmico, a adoção por uma princesa hicsa do filho de uma
escrava israelita equivalia a uma espanhola adotar uma criança
francesa ou italiana.
Por outro
lado, a endogamia da dinastia hicsa resumia-se ao caráter militar típico
de todo o ato de invasão e conquista. Essa reação do poder hicsa ao
crescimento da população israelita nunca foi registada, em nenhuma
época, como própria da corte egípcia nativa; e não existem registos de
tal medida, em geral, e em especial contra os israelitas, pela
simples razão de que tal barbárie não cabia ao egípcio. Apenas
uma corte não nativa, a dos hicsos, que se sentia invasora e sempre atenta ao facto de que
o golpe de Estado que deram contra os seus anfitriões, os egípcios, lhes
pudesse voltar como um bumerangue pelas mãos dos israelitas, poderia dar a sua bênção a
tal medida genocida.
Isto,
por um lado.
Por outro lado,
voltemos ao golpe de Estado que os hicsos deram contra os seus anfitriões, os
egípcios, em 1750 a.C.
Desde
este ano, 1750, até ao ano da sua queda, por volta de 1550, mais ou menos uma
década para cima ou para baixo, os hicsos tiveram dois séculos de domínio absoluto,
durante os quais os egípcios retiraram-se para o sul e, a partir de lá, aguardaram o seu
momento. Que acontecimento lhes permitiu, de repente e sem aviso, lançarem-se contra um
invasor que, durante dois séculos, tinha imposto a sua lei no Nilo? As forças
militares egípcias durante o período anterior à queda dos hicsos revelam-se
inexistentes.
Também
há Jericó, a cidade fortificada que não conseguiu resistir ao cerco das
trombetas de Josué. Os arqueólogos reconhecem que foi nessa data que as suas
muralhas ruíram... mas que isso aconteceu devido a um terramoto.
Não
sabemos em que dados se baseiam para afirmar que a região sofreu um terramoto. A
menos que o terramoto tivesse o seu epicentro exclusivamente sob os pés de Jericó, é de
acreditar que o preconceito antibíblico cegou o pensamento dos Pais da
Arqueologia do Antigo Oriente Próximo e, mesmo tendo a concordância das
datas, presos ao antibiblicismo, recusaram-se a
relacionar os acontecimentos entre si.
Primeiro:
por volta de
1750, aproximadamente, entra no Egito o povo que não conheceu José, os
Hicsos.
Durante
mais dois séculos, até cerca de 1550 — o que perfaz quatro
séculos desde José até Moisés —, os hicsos dominam de forma todo-poderosa o Império dos
Faraós.
Neste
mesmo século, o XVI a.C., os hititas rearmam-se e lançam-se à conquista da
Síria e da Babilónia.
Politicamente
falando, o Faraó hicsa teve de enfrentar este problema da expansão do
império hitita. De facto, uma vez derrubado o poder hicsa, o Faraó egípcio
estabeleceu relações com a nova potência do Norte.
Quero
dizer que os israelitas eram um povo escravo que poderia ter sido
utilizado como cavalo de Tróia pelos hititas. Um povo de escravos
que anseia pela liberdade é sempre um perigo interno propenso à
revolução, caso conte com apoio externo. O Faraó hicso não podia lançar-se
à guerra contra o rei hitita, deixando para trás este exército de escravos.
O decreto de assassinato de todos os meninos hebreus vinha para enfiar o dedo na
ferida sangrenta do fardo da escravidão e, ao mesmo tempo, marcava qualquer
insurreição com o ferro do extermínio. De facto, os hititas não cruzaram a
linha vermelha da influência hicsa sobre as cidades-estado da Palestina
bíblica.
Os
egípcios estavam à espera. A ascensão do poder hitita poderia ser utilizada
pelos egípcios contra o poder hicsa. Preso entre o Norte e o Sul, no
meio ficava um exército de escravos à espera de um Libertador enviado pelo seu Deus
para os conduzir à terra dos seus antepassados.
O
infanticídio em massa seria uma boa medida política com o objetivo de manter à distância
este exército de escravos forjados pelo trabalho desde o berço até ao túmulo. É
de crer, tomando como indicador a paralisação dos hititas e o silêncio dos
egípcios, que os hicsos conseguiram conter a ameaça e criar um novo equilíbrio de
poder internacional.
Foi
precisamente nessa altura, quando os hicsos se encontravam firmados no seu trono, que,
sem qualquer motivo aparente, surgiu do nada aquele menino salvo das águas, numa
má altura, diriam os hicsos, para lhes retribuir com a mesma moeda que os hicsos
tinham usado contra os hebreus: a morte de todos os primogénitos hicsos.
Deus fez
o que é natural para Deus quando Deus quer mostrar-se como Deus, afundou
até ao abismo o trono dos hicsos e devolveu a corte ao egípcio.
Agora
começa o problema. Será que Jericó caiu devido a um terramoto isolado no espaço, cujas
ondas não se fizeram sentir senão exclusivamente nas muralhas de Jericó?
A
Concordância Cronológica não poderia ser mais firme.
Nos
séculos XX e XIX a.C., aproximadamente, José é vice-rei do Faraó.
Dois
séculos mais tarde, no século XVIII, os hicsos conquistam o trono dos faraós.
Dois
séculos depois, no século XVI, Moisés liberta os hebreus e passa o comando a Josué.
Enquanto
este dá início à conquista da Palestina, o egípcio regressa à sua casa. Uma dádiva
do Céu, uma graça do Deus de Moisés.
Jericó
desmorona-se por volta de 1550. O terror apodera-se de todos os reinos da
Palestina. Inicia-se uma reestruturação do Mundo Antigo rumo à
Vinda do Redentor, cujos principais protagonistas serão David, Salomão,
Nabucodonosor e Ciro, o Grande, Alexandre, o Grande, e Otávio Augusto.
Voltaremos
a esta Concordância noutra ocasião
Mas,
nisto como em tantas outras coisas, trata-se de ir contando gotas do oceano. Sem
ir mais longe, vemos como as zonas de influência entre os hicsos e os hititas,
estabelecidas na sequência da conquista de Alepo e
da Babilónia pelos hititas, são respeitadas pelos hebreus. Josué alarga a
expansão das tribos dentro desse quadro geopolítico. Ao estabelecer o Jordão
como fronteira nacional, Josué evita um confronto direto com um reino
hitita no auge do seu império. Não se pode esquecer que, na arte
da guerra em campos de batalha, o povo hebreu, que acabara de sair de quatro
séculos de isolamento, era um guerreiro inexperiente. Um confronto direto com o
reino hitita era a última coisa que Josué podia permitir-se.
Quero
dizer que a estrutura geopolítica da região e a conquista da Palestina pelos
hebreus coincidem no tempo com uma precisão que não deixa margem para dúvidas
na hora de situar este Acontecimento, de caráter e valor universal, no
século XVI a.C. Primeiro, Moisés provoca a Queda da Dinastia Hicsa no Egito,
e, como consequência, a Restauração da Dinastia Faraónica Nativa; depois
Josué torna-se o epicentro causador do terramoto que derrubou as muralhas de
Jericó e espalhou o terror entre as cidades-estado deste lado do
Jordão.
Observamos
ainda que os hititas respeitaram o quadro geopolítico estabelecido após a sua
conquista de Alepo e da Babilónia, uma conquista que
preparou aos hebreus a sua entrada na Terra Prometida, e vemos nisso a
ação Divina preparatória do Êxodo. É absurdo acreditar, conhecendo a sede de
império da Babilónia daquela época, que, se os
hititas não tivessem posto fim ao seu reino, a Babilónia tivesse ficado de braços cruzados perante
as consequências do Êxodo.
Se, pelo
contrário, se quiser fazer-nos acreditar numa questão de coincidências, a nossa
resposta não pode ser outra senão aquela que convém a quem se arrancou os olhos
da inteligência e só vê nas trevas aquilo que imagina ver. O facto é
que entre a imaginação subjetiva e a realidade objetiva existe uma muralha,
de um lado da qual está a ignorância e do outro lado a loucura. Neste século,
as ciências históricas, tal como o conjunto dos ramos da Árvore das
ciências, terão de escolher de que lado se situam; dependendo dessa decisão,
serão tomadas as medidas correspondentes e necessárias para situar essa Árvore no
Jardim que, por natureza, lhe pertence: o Jardim da Verdade.
25
Juízes.
Com o
estabelecimento na Terra Prometida, surgiram nas tribos hebraicas os males
do sedentarismo antigo. «Repete-me isso outra vez, avô». As escrituras
sagradas, sempre as escrituras sagradas!
«Pergunta
aos anciãos e eles dir-te-ão.» «Ouve, Israel...»
Com o
passar do tempo, os ouvidos cansaram-se de ouvir a mesma história contada mil vezes.
Sim, já chega.
Adão e a maçã proibida, Noé e o Dilúvio, Abraão e Isaac,
José e os seus irmãos...
As
futuras gerações hebraicas adaptaram-se ao que havia, aos seus vizinhos, ao
progresso. Sempre que o faziam, as coisas corriam de mal a pior. A
exceção de Moisés. Mas não aprendiam.
Assim,
quando aquela fé que movia montanhas chegou ao ringue de Golias, a verdade seja
dita, já não movia nada, nem sequer umas pernas paralisadas pelo medo, cravadas no
chão, a viver as suas últimas horas de vida, de liberdade, na melhor das hipóteses.
A forma
como os filisteus tratavam os vencidos fazia os cabelos de todos se arrepiarem
. E ainda por cima aquele Golias a fazer-se bonito. Morte ou escravidão,
ou será que já não se lembravam de quando os expulsaram a todos da sua terra ao
grito de «Fuga ou Morte»?
Foi aí
que o faraó se enganou. «Com o cão morto, acabou-se a raiva», zombou Golias
na cara deles.
CAPÍTULO 5
26.
Davi.
Será que Josué
iria ser interpelado por um homem da mesma forma que Golias interpelou Saul? Os habitantes de Jericó
esconderam-se atrás de muros altos e grossos como a Muralha da China. De que
lhes serviu isso? Quanto tempo diziam que conseguiriam resistir? Até que crescesse
barba aos que ainda estavam a ser amamentados? Hahaha.
Não
foi Deus quem fez um milagre quando os tirou do Egito? Porque é que não iria fazer
agora outro?
«Salvar-te
a vida, por exemplo», grasnou Golias quando descobriu a estatura daquele que tinha
dito aquelas asneiras, próprias de uma criança.
Tinham
escolhido como candidato ao título um miúdo magricela, um novato que
saltitava entre o gigante e a primeira linha inimiga. Não era de rir?
Jo jo jo.
«Cala-te,
cão pagão. Não sabes nada. És tão tolo quanto és imenso. Deus vai realizar uma
obra tão grandiosa quanto aquela. Quem a ouvir não vai acreditar. Dirão
uns aos outros: Já ouviste a última piada hebraica?: Vai um pastorzinho de
três ou quatro anos com o seu rebanho pela montanha e depara-se com um gigante
armado como um Hércules ressuscitado, com pelo menos três metros. Com muita fome, o
gigante vai lá e mete a mão numa ovelha gordinha. O pastorzinho apanha-o em
flagrante. O que achas que o pastorzinho disse ao gigante?
Isto é que é
incrível. Tu também não vais acreditar.
O
pastorinho era um leão encantado por um feiticeiro. Não falava, rugia. Não rugia
como um cachorrinho, rugia como o próprio rei da selva.
O
pastorinho encantado continuou a dar voltas e mais voltas à volta do gigante
de ferro ao ritmo dos tambores de guerra. Por cima da sua cabeça, uma funda com a sua
pedra girou a uma velocidade vertiginosa. Os inimigos ofegaram perante o seu cão de
luta e recuaram quando o feiticeiro correu em direção à linha da frente
filisteia, cravando-lhes no cérebro aquele rugido enfeitiçado que lhes dilacerava
os sentidos.
Desesperado,
farto de ver aquele palhaço a dançar como uma marioneta estúpida, Golias comete
o erro imperdoável de arrancar o capacete e esmagá-lo contra o chão.
Ele ia
falar, queria dizer alguma coisa, abriu a boca para dizer algo. Mas não teve tempo
para mais nada. O anão lançou o míssil. Bingo. Alvo perfeito. Entre os olhos. Um
golpe relâmpago. O gigante caiu de costas como um saco de batatas.
«É isto
que o filho de Adão fará com o Diabo. Observem, guerreiros. Ele erguerá a
espada e cortará-lhe a cabeça de um só golpe», gritou David triunfante.
Um
pastorinho insignificante enfrentou aquele fanfarrão e cortou-lhe a cabeça de um
só golpe. Não é engraçado?
27.
A Corte
do Rei Profeta.
Saúl
reinou de 1025 a 1010. David, de 1010 a 955.
A
coroação de Saul abre-nos os olhos para a anarquia em que os filisteus mergulharam o mundo
. Hititas, mitanianos, assírios,
babilónios, sombras do que foram outrora; o futuro da civilização ficou nas
mãos dos hebreus. Que também não teriam conseguido resistir ao seu colapso
se não tivesse intervindo o Deus de David, o verdadeiro artífice da vitória
hebraica frente aos exércitos que o Inferno tinha mobilizado na sua
guerra particular contra o Céu. Mas não nos detenhamos naquilo que é História
Divina.
Durante
o decorrer do seu reinado, David soube o que aconteceu no Éden. Deus também-lhe
revelou o Seu Plano de Salvação Universal.
Ao ver,
em espírito, o fim da batalha entre o Filho de Deus e o Diabo, o rei David
saltou de alegria. No entanto, ele não era homem de se confessar todos os dias e,
entre o facto de ser um segredo absoluto e de o seu Deus o ter colocado entre uns que queriam matá-lo
e outros que o procuravam para lhe tirar a vida, David guardou em silêncio tudo o que tinha
conhecido e publicou o que o seu Deus lhe inspirou para ser lido.
A ideia
do rei Messias rapidamente se enraizou no espírito guerreiro dos jovens. E não parou de
crescer até encontrar em Absalão o seu príncipe valente.
Absalão
não podia nem iria permitir que o partido de Salomão se aproveitasse da velhice
do rei para conceder os direitos de primogenitura à
marioneta que tinham criado. Assim, tornou-se prioridade máxima matar Salomão.
28.
Salomão.
«O
primeiro pensamento nem sempre é o último; pelo contrário, quase sempre costuma
ser o primeiro elo de uma cadeia de acontecimentos.
A
sabedoria nunca exige a velhice como condição sine qua non para se deixar
alcançar.
A última
palavra não cabe ao mais velho, mas sim ao mais sábio. Mas até os sábios
desconfiam da omnipotência da sua razão.
O sábio
tem em Deus o seu pensamento e na Sua vontade encontra a sua força.
O
pensamento do homem é névoa nas trevas; o espírito da Sabedoria
é aquele que anima a inteligência e a eleva até à resposta daquele que conhece
todas as coisas, porque Deus lhas revelou.
Deus diz
e Deus faz; é aqui que o homem encontra o princípio da sua inteligência».
Salomão
foi criado sob uma chuva de palavras deste género.
Na corte do seu pai, Deus tinha difundido o Seu espírito. O profeta Natã, por
exemplo, entrava e saía do palácio do rei mais vigiado do mundo como se
fosse a sua própria casa. A verdade é que, se Natã se tivesse calado, ninguém
teria descoberto o crime tão grave que David cometeu ao matar o marido
para ficar com a viúva.
Natan
apresentava-se no palácio como se fosse o próprio Moisés a entrar na
sala do trono do Egito. Não havia no mundo homem capaz de atravessar sem
autorização as sete muralhas de guerreiros invencíveis que protegiam o rei de
Jerusalém. Entrar no próprio salão do Trono de Israel como persona non grata? De
que, como e quando?
Dominado
pela vertigem que lhe provocou a descoberta do crime, Natã irrompeu na
casa do rei como um filho entra na casa do seu pai. O homem que tinha às
suas ordens as mulheres mais belas do universo tinha-se deixado levar pela
paixão mais juvenil e levara-a até às suas últimas consequências.
O facto
de matar um homem para o roubar é crime suficiente para pagar vida por
vida; roubar a mulher do teu próximo ao preço do sangue do teu irmão,
o que será isso? — perguntou Natã ao rei dos profetas.
O rei
tinha pecado ainda mais, pois, tendo sido ungido por Deus, tornava mais
difícil a Deus vingar o sangue derramado. Teria Davi colocado
Deus no dilema de Satanás? Condenaria Deus todo o povo pelo pecado de
um único homem?
Que
homem da corte do rei David se teria atrevido a erguer-se como profeta
perante o rei profeta, se não fosse o seu próprio filho? Que profeta teria
David aceitado para lhe dirigir a palavra, senão um filho nascido das suas
vísceras?
O seu Deus,
que tanto o amava e tanto o conhecia, tirou-lhe da coxa um filho nascido para
lhe amordaçar a língua.
29.
O
Nascimento do judaísmo.
«É Ele quem dá
as ordens, meu filho», dizia Salomão ao seu filho Roboão. Os seus exércitos
movem-se ao som da voz do seu Verbo. Nenhum líder do seu povo deve assumir as
competências do Senhor dos Exércitos; Ele nunca está ausente. Ele não deixa os
seus exércitos sozinhos à mercê da derrota. Ele sabe quando e como. O Rei zela
pela paz e pelo bem do seu povo; o povo do Senhor Deus é a sua criação
na íntegra. Na sua onisciência, Ele dirige o curso da história das nações.
A vitória é Sua; Ele escolhe os líderes do seu povo desde o ventre das suas
mães. Sê sábio, meu filho.»
O que
o vento levou!
À
costas do seu pai, Roboão converteu-se ao judaísmo.
A tribo
de Judá tinha-se conspirado para inaugurar a era messiânica no dia seguinte à
morte de Salomão; após a morte de Salomão, as restantes tribos aceitariam
o facto consumado e unir-se-iam ao projeto.
“Meu
filho, não te deixes lisonjear por aqueles que se sentam à mesa do rei, pois
são os seus interesses que falam pelas suas bocas, e não a sabedoria de Deus.
De que
vale um anel de ouro no focinho de um porco?; não será a ganância a ruína do
avaro?»
Que
pai seria aquele se tivesse tido um bom filho!
Por trás
dos limites salomónicos, o crocodilo do Nilo estava à espreita. Do outro lado
dos grandes rios, o urso assírio começava a sair do seu letargo.
«Não sejas
louco, meu filho...»
Palavras
de sábio aos ouvidos de um burro!
Com a
morte do Rei Sábio, o crocodilo do Nilo invadiu Jerusalém, arrancou as
pedras de prata das suas ruas, desmontou as telhas de ouro dos seus palácios, o
marfim das suas cúpulas, e deixou para trás o filho do Rei Sábio a chorar como uma
mulher pelo que não soube defender como um homem. Isto aconteceu por volta do ano 930
aproximadamente.
Mas
lembremos:
A
verdadeira ruptura determinante de uma alienação do judeu face ao hebreu
teve a sua origem imediatamente após a morte do rei Salomão. Se
considerarmos os hebreus como um único ser, na medida em que são fruto da descendência de
Abraão, então temos de dizer que a ruptura entre judeus e
galileus-hebreus deu início a um processo de esquizofrenia violenta e incurável, cujo
desenvolvimento patológico não podia ser outro senão a destruição do corpo
nacional. De facto, em 722, Sargão II destrói o reino de Israel, ou seja,
a Galileia e a Samaria, e em 607 Nabucodonosor faz o mesmo com o reino
de Judá.
Nem mesmo Deus,
podemos afirmar, pode fazer nada quando a loucura é abandonada às suas
próprias forças. No entanto, mais do que satirizar processos que são matéria de
livros, o que aqui nos interessa é saber por que razão os hebreus de David e
Salomão romperam o Pacto de Unidade entre as tribos de Israel, provocando o
início do fim dos hebreus como nação e povo, que nunca mais voltariam
à cena, sendo o seu lugar ocupado, doravante, pelos judeus.
A partir da
leitura dos livros históricos da Bíblia, verifica-se que o choque de forças
entre Judá e as restantes tribos de Israel surgiu como consequência do mesmo
erro que levou Caim a matar o seu irmão Abel. Caim deixou-se levar pelo
desejo de vingança e de restaurar o destino divino do seu pai, Adão. E, uma vez que
o único que se interpunha entre Deus e o seu desejo era o seu irmão Abel, a
resposta era óbvia; uma vez morto Abel, tendo Deus determinado que um
dos filhos de Adão vingaria a sua Queda e herdaria a sua Glória perdida, uma vez
morto Abel e não tendo Adão mais filhos, Caim obrigava Deus a ungir-no como
seu campeão e herdeiro da coroa perdida de Adão.
O erro
de Caim residia nos seus músculos. Ele não pensava com a cabeça, pensava com os pés.
Não via Deus como Deus se vê a si próprio. E a partir deste erro, vendo Deus
como um homem olha para outro homem, acreditou que o seu pensamento e o de Deus tinham
o mesmo fim e princípio.
No
caso judaico, o erro seguiu o mesmo esquema de raciocínio. Deus tinha
prometido a um filho de David o reino universal e eterno (uma vez que somos
cidadãos da civilização cristã e estamos a par da existência
dos Salmos de David, não preciso de trazer aqui o maremágno de
profecias a esse respeito).
Traduzida
esta promessa para a mentalidade do século de Salomão, a Profecia vinha dizer
que Deus tinha prometido aos judeus o Império.
Ámen,
Aleluia, Deus é Grande.
O
próximo Império a estender a sua bandeira sobre a Mesopotâmia, e daí até aos
confins da Terra: seria o Império dos Judeus. A lógica dos factos
assim o indicava. Com David, os hebreus tinham reunido o maior exército da
época. Com Salomão, o reino dos judeus tinha acumulado o que é mais
necessário para levar a cabo uma guerra de conquista: ouro e prata em
quantidades infinitas. O herdeiro deste exército e deste tesouro seria o rei
Messias, o herdeiro da Promessa do reino universal, cuja descendência se
ergueria como dinastia até ao fim do mundo, e cujo reino se estenderia sobre a
superfície de toda a Terra.
Jeroboão
só tinha de seguir este raciocínio lógico para dar início à guerra pelo
Império, retirar os exércitos dos seus quartéis, espalhá-los pelo Egito,
Assíria, Babilónia, Fenícia, e os seus filhos encarregar-se-iam de Creta, Chipre,
Grécia, Itália, Líbia, Média, Pérsia, e os seus netos da Índia, Escítia,
Ibéria, Abissínia, Arábia... O sonho do Império dos Judeus que ainda hoje
ressoa na cabeça de um remanescente dos loucos de Jeroboão e que,
como se vê na própria Internet, a esquizofrenia paranóica belicista é idêntica à
aquela que provocou a ruptura das Doze Tribos, ficando sozinhas as de Judá e
Benjamim com o seu sonho de domínio universal.
A
Galiléia, naquela época parte do reino de Salomão, compreendeu que Judá, ou
seja, os judeus, após a morte do rei Salomão, tinham perdido o juízo e
cometiam o mesmo erro de Caim: não ver Deus como Ele é, e cair no
erro de acreditar que é Deus quem serve ao homem, que Deus existe para fazer a
vontade do homem. Será que o grandíssimo rei Salomão, dotado de toda a sabedoria
e força, não teria sido capaz de liderar o caminho se tivesse considerado que a
Profecia se referia a ele, filho de David?
Para
travar o processo de destruição do povo hebreu, teria bastado
que Jeroboão tivesse seguido o conselho dos anciãos. Mas o conselho dos
judeus pareceu-lhe melhor; ele próprio tinha sido criado a alimentar-se dessa ideia e,
tropeçando na pedra de Caim, levantou o braço contra Abel, acreditando que o
medo da destruição que a divisão suscitaria no horizonte obrigaria
todos os hebreus a aceitar a política de factos consumados que pretendia
impor-lhes. Um erro que lhes custaria, a uns e a outros, acabar como acabaram.
Uma vez
que os judeus culparam as outras tribos de Israel pelo seu destino, a relação
futura com elas foi de ódio até à Queda de Jerusalém. As tribos do reino
de Israel retribuíram aos judeus com guerras constantes
e contínuas. Durante três longos séculos, os judeus e os hebreus tiveram
tempo de erguer entre si um muro de inimizade tal que nunca mais voltaria a
desaparecer da estrutura mental judaica, sendo a partir deste lado do ódio que
os judeus olharam com o desprezo que um hebreu merecia — por ser galileu —
para Jesus da nossa História Divina. Um cuspidelho na cara por ser Galileu, do
qual, evidentemente, São Pedro não se livrou e sofreu até ao fim dos seus dias. E
isto apesar de São Pedro ser o mesmo que o nosso Jesus, da linhagem de David, ou seja,
pelo sangue, mais judeu do que a própria Jerusalém.
30
A Queda
de Samaria, a Branca.
Se o
reino do Norte se deleitou ao ver Jerusalém ser saqueada, o preço da
divisão do reino de David não tardaria a ser cobrado a Samaria pelas mãos do rei de
Nínive. O que aconteceu em 721. Mas vejamos antes como Nínive conseguiu elevar-se
a tal altura acima das cidades clássicas das Idades do Bronze e do Ferro.
O reino mitânio desapareceu da cena geopolítica em 1350 a.C.,
em consequência do cerco conjunto dos hititas e dos assírios.
Para
nos entendermos melhor, digamos que os hititas reinavam sobre a Turquia Ocidental;
os mitanianos sobre o norte da Síria e os assírios
sobre o norte do Iraque.
A
destruição de Mitani surgiu numa altura inoportuna. Pouco tempo depois, os filisteus — possivelmente
os antigos gregos que, após invadirem o Império de Tróia, continuaram
a sua marcha para sul — derrubaram o reino hitita e travaram a expansão assíria para
o Ocidente.
Numa
secção anterior, deixámos os casitas a reinar sobre as ruínas do império de
Hammurabi. Com os casitas e os assírios em guerra, o controlo sobre a região a sul do
Éden foi-lhe escapando das mãos à Babilónia, até que, por volta de 1310,
aproximadamente, os antigos persas — os elamitas — se tornaram independentes e
colocaram-se ao nível dos seus vizinhos.
Posteriormente,
a Babilónia foi derrotada pelo assírio Tukulti Ninurta I, que estendeu o seu
poder até ao Elam, mas apenas de forma esporádica, pois, por volta de 1215, Susa
conquistou a independência e ergueu-se como potência militar. O seu rei aproveitou então as
circunstâncias da chegada dos filisteus para retirar a Nínive o
controlo da Babilónia, que caiu em 1159 e arrastou na sua queda o último rei
dos casitas.
Desencadeada
a guerra pelo controlo do antigo reino casita entre assírios e elamitas, o
desfecho tomou um rumo inesperado quando um tal Nabucodonosor I se ergueu como
rei da Babilónia e libertou o seu país dos dois inimigos clássicos da sua nação.
O que aconteceu em 1110. E manteve o conflito entre babilónios e assírios
numa guerra de desgaste que resultou, em última instância, na hegemonia de Nínive.
Uma hegemonia relativa, sem mais força na estrutura geopolítica imposta pela
invasão dos filisteus do que a de manter vivas em Nínive as suas aspirações
imperialistas. Que, se num início de tempos foi travada pelos bárbaros do
Oeste, mais tarde foi contida dentro das fronteiras do atual Iraque graças à
expansão do reino de Salomão por todo o Médio Oriente.
Com a
divisão do reino de Salomão e o colapso de toda a infraestrutura sobre a
qual o sábio rei edificou a sua Paz Internacional, Nínive aproveitou o vazio de
poder a oeste do Jordão para criar o seu império.
Se, no
início, Adad-Nirari I dirigiu os seus exércitos contra a Babilónia, os seus sucessores,
compreendendo o desperdício de esforços que estavam a cometer, abriram a frente
norte, conquistando a Média. Uma mudança de rumo que, com Salmanasar III, fixou o seu
objetivo no Ocidente, onde a divisão do reino de Salomão deixou a Síria à
mercia do seu exército. A sua entrada neste lado do Jordão só se verificaria
após um processo de desestabilização interna. Processo esse que, concluído pelo
lendário Tiglate-Pileser III, levou à invasão da Babilónia, à
sua subjugação e ao desvio do seu olhar para o Oeste, para onde chegaram os exércitos de Nínive
sob o comando de Salmanasar V.
O
encontro com o reino de Israel reduziu a escombros o orgulho dos
israelitas, a «Samaria Branca», como lhe chamavam. O que aconteceu no ano 721.
31
A Queda
da Santa Jerusalém.
Agora, se
o reino dos judeus se regozijou ao saber da notícia da destruição do
reino dos seus irmãos, isso não sabemos. O que sabemos, sim, é que, uma vez pronunciado o
decreto contra a divisão do reino, Jerusalém não escaparia ao
mesmo destino que a sua irmã Samaria.
Nesta ocasião,
não foram os assírios, mas sim os caldeus da Babilónia, destruidores de
Nínive, que deram a Jerusalém o que merecia.
Os
acontecimentos gerais foram os seguintes:
Os reis
de Nínive expandiram o seu império para o Norte e para o Sul, conquistando a Média e a
Babilónia.
Salmanasar
III, Adad-Nirari III, Tiglate-Pileser III e Sargão II,
Senaqueribe e Assurbanipal — os seus reis mais famosos —, o ódio que semearam a norte
e a sul do Éden voltou-se contra eles quando Nabopolassar, pai de
Nabucodonosor II, rei da Babilónia, e Ciaxares, pai de Fraortes II, rei de Ecbatana, capital da Média, se uniram para destruir o rei de
Nínive, objetivo que alcançaram em 612.
A
divisão do mundo feita pelos medos e babilónios deixou as terras do
Oeste nas mãos da Babilónia. Ao subir ao trono, o filho de Nabopolassar,
Nabucodonosor II, atravessou o Jordão e destruiu Jerusalém em 587. Todos estes factos
estão descritos no Antigo Testamento.
Com a
destruição de Jerusalém e Samaria, o decreto divino: «Todo o reino dividido em si mesmo será
destruído», cumpriu-se, ficando o seu julgamento como exemplo para todo o reino que, no
futuro, pretendesse escapar ao seu destino.
32
O
Maligno.
A
Antiga Serpente saltou de alegria entre as paredes do seu silêncio quando
Jerusalém caiu.
Em que
mente pode caber a ideia de que Deus precise de óculos de raios X para radiografar, de um
só olhar, o interior das suas próprias criaturas, Senhor?
A Queda
de Jerusalém foi mais um ponto a favor daqueles que defendiam a destruição do
Homem e acreditavam que o Messias das profecias já tinha tudo
perdido de antemão. Deus devia aceitar de uma vez os factos: ao criar o homem, as coisas
tiveram um desvio. A humanidade nunca mais ultrapassaria a fronteira entre
os animais e os filhos de Deus; demonstrava uma tendência instintiva tão lógica
na sua espécie que a mera ideia de ver o filho de um homem a desafiar para um duelo até
à morte Satanás poderia ser considerada uma ofensa, se não fosse pelo ridículo da
ideia.
33
As Três
Colunas do Mundo.
Durante
aqueles dias, na Babilónia dos caldeus, cinco séculos antes do
Nascimento, viveram três crianças prodigiosas.
O
primeiro nasceu para ser profeta e deixar o mundo inteiro de boca aberta. Os
seus pais chamaram-no Daniel, mas Nabucodonosor deu-lhe outro nome.
A
doutrina messiânica de Daniel fez calar as risadas dos judeus ortodoxos que
continuavam a acreditar na vinda imediata do Messias. Segundo Daniel, o
Profeta-Mago, a profecia estava destinada a se concretizar só daqui a cinco séculos, mesmo depois de ter
sido escrita pelo rei David.
34
Zorobabel.
O
segundo menino nasceu para liderar a caravana da liberdade, conduzir o seu
povo à Pátria Perdida, ressuscitar Jerusalém das cinzas da História
e erguer um Templo à Sabedoria. Os seus amigos chamavam-lhe Zoro, mas o rei
da Babilónia chamava-lhe de outra forma. Zoro era o
príncipe herdeiro da coroa de
CAPÍTULO 6
35
Ciro, o
Grande.
O terceiro
menino chamava-se Ciro. Este Ciro era filho da princesa meda casada, segundo
Heródoto, com o príncipe dos persas. Heródoto não conseguiu resolver o enigma da
origem de Ciro devido à falta de conhecimento sobre as estruturas de sucessão das
monarquias mesopotâmicas.
Graças ao
nosso conhecimento atual das estruturas de poder clássicas durante a Era
Pré-cristã, estamos em posição de reconstruir a arquitetura das
relações internacionais típicas da época neobabilónica.
A verdade
que brilha no fundo do túnel ilumina-nos o caminho para descobrir os
mecanismos imperiais que tiveram de ser adotados para levar ao Trono Imperial
o Príncipe Ciro.
A esposa
de Nabucodonosor era filha de Ciaxares, rei dos medos. Este Ciaxares foi
aliado de Nabopolassar, pai do príncipe Nabucodonosor.
Ciaxares
e Nabopolassar aprisionaram o rei de Nínive no seu
palácio e enterraram-no sob os escombros do seu império. Para comemorarem
a grande vitória, casaram os seus filhos. Ciaxares deu a sua filha ao filho do rei
dos caldeus; e este deu o seu filho à filha do rei dos medos.
O
irmão da esposa de Nabucodonosor herdou o trono da Média e casou a sua filha
com o príncipe da Pérsia, pai de Ciro. Ciaxares foi, segundo isto, o
bisavô materno de Ciro, e Nabucodonosor o seu tio-avô — o tio da mãe
é tio-avô para os seus filhos.
Se
Nabucodonosor foi genro de Ciaxares, Fraortes e ele
eram primos. E se era primo do filho de Ciaxares, Nabucodonosor era tio da
mãe de Ciro.
Conclusão:
Ciro era sobrinho-neto do rei da Babilónia e neto do rei da Média.
Um jogo
de probabilidades gordianas desta natureza levou Carlos V ao trono da
Alemanha.
Um
príncipe persa poderia aspirar a reunir nas suas mãos as três coroas «quando as
galinhas puserem cachorros» — dizia o provérbio popular babilónico.
Era
necessário que muitos cálculos coincidissem para que a possibilidade se concretizasse. Ou poderia
acontecer que fosse convidado a fazer parte de um projeto de unificação do
mundo numa única coroa e...
Resumamos:
À luz
das conclusões que têm vindo a ser elaboradas a partir das traduções das
bibliotecas desenterradas do Médio Oriente pré-cristão, podemos
recriar a verdadeira estrutura das relações internacionais que
permitiram a Ciro, o Persa, conquistar um império.
As
Histórias de Heródoto, sem com isso lhes retirar o seu valor, foram escritas a partir da
ignorância da importância do elemento bíblico no desenrolar dos
acontecimentos mundiais da época. É, até certo ponto, curioso ver como
aqueles que se autodenominaram historiadores, cegos pelo seu ódio
antisemita e pelos seus preconceitos anticatólicos, foram incapazes de penetrar por detrás da
tela de fábulas que Heródoto recolheu como norma de verdade e transmitiu ao
futuro envolta no manto dourado da Idade Clássica. Não sendo um historiador
dos nossos dias, mas apenas isso, um escritor do seu tempo, não se pode pedir
ao autor das «Histórias» outra coisa senão que reflita nos seus escritos a ignorância
que prevalecia na sua época sobre as coisas do passado. A partir do nosso conhecimento do
poder e da história, é preciso dizê-lo, a esta altura é preciso ser um
verdadeiro idiota para acreditar que o general-chefe das forças militares do
reino da Média entregou a coroa de Ecbatana ao rei da Pérsia apenas pelo seu rosto
bonito, o de Ciro, até então um reino de segunda importância no jogo
político.
E à
luz do conhecimento que temos agora, é preciso ser mais do que um tolo para
acreditar que o rei da Babilónia, a superpotência da época, se manteve à
margem da marcha triunfal do persa, com a sua inatividade a oferecer o Império
àquele que até então era seu vassalo, apenas pelo rosto bonito de Ciro. Num mundo
onde o ferro era a lei e a verdade pertencia à força, as tolices que
Heródoto escreveu sobre a ascensão ao poder de Ciro só podiam ter lugar
na mente de um pastor analfabeto, o que, afinal, bem pensado, era a
imensa maioria do mundo: um povo analfabeto, cujo analfabetismo se referia mais
ao conhecimento das leis do Poder do que ao das letras que compõem o
alfabeto. Foi contando com este analfabetismo do povo em relação às leis do
Poder que Heródoto escreveu a série de disparates que, no que diz respeito a Ciro,
ele chamou de «Histórias».
São os
factos que apresentam o seu testemunho e apagam a inscrição na
parede, feita por sábios da estatura de Heródoto, gravada na nossa memória.
Sabemos com certeza que, nos dias de Nabonido, as cidades imperiais das
fronteiras do reino da Babilónia dos caldeus estavam nas mãos de
oficiais judeus. Qualquer historiador profissional pode confirmar esta
informação, que, se proferida por um amante da verdade é uma mera suposição,
nas mãos de um mercenário da informação histórica soa como isso mesmo, como
conhecimento.
Mas o
que se torna totalmente inacreditável é que estes mercenários ao serviço do Poder
nunca tenham dedicado uma única linha ao fenómeno tão singular que se
apresenta aos nossos olhos quando se descobre que um povo de escravos se
levanta até chegar a deter as chaves do reino do seu senhor e mestre.
O
culpado por esta situação tão atípica e fenomenológica foi, sem dúvida alguma,
o profeta Daniel, chefe do Conselho Privado de Nabucodonosor. Mas o que, para mim,
pessoalmente, me fascina é ver como os especialistas em estrutura imperial, o
povo britânico, sendo um dos artífices da descoberta das
Bibliotecas do Antigo Médio Oriente, esses especialistas em estrutura imperial tenham
se comportado como pastores analfabetos no que diz respeito ao que é um Império e à
série de forças estruturais que o movem, eles que tiveram nas suas mãos um
dos maiores impérios que a Terra já conheceu. Parece uma palhaçada,
portanto, que precisamente os imperialistas por excelência, o povo
britânico, perante a série de disparates de Heródoto sobre a ascensão de Ciro, o
Persa, tenham reagido como o pastor da fábula.
O facto
de os exércitos das fronteiras do reino dos caldeus estarem nas
mãos de generais judeus só se explica a partir da Bíblia.
Ao conciliar esta com a Verdadeira História do Reino dos Caldeus, verifica-se que
o golpe de Estado que levou Nabonido ao poder ocorreu imediatamente
após a orgia de Balthazar, golpe liderado por Daniel, profeta e chefe
dos Magos da Babilónia, golpe de Estado que vinha a ser preparado há já algum
tempo e para o qual serviu de sinal de partida o famoso relato da escrita
na parede.
Observamos
na história do reino de Nabonido que este delegou todas as funções
imperiais na sua corte, dedicando-se ele, na qualidade de rei fantoche, a desenterrar
cidades perdidas no deserto. Foi sob esta corte, dominada pelo chefe
do Conselho Privado de Nabucodonosor, que os até então escravos assumiram
o comando dos exércitos das fronteiras, o que mais tarde lhes abriria
as portas a Ciro, uma conquista pacífica que o novo rei da Babilónia pagaria,
não com ouro, mas com a liberdade, como bem se vê no famosíssimo, mas
desconhecido a nível histórico internacional, Edito de Liberdade Religiosa de
Ciro, cujo conteúdo traduzirei ao longo desta secção.
Crónicas
medas
Observemos
como o ódio antissemita dos historiadores da Idade Moderna e o seu fanatismo
anti-eclesiástico turvaram as suas mentes ao ponto de cegar os seus olhos
perante o inacreditável facto de o general-em-chefe da segunda superpotência
da época, a Média, ter entregue a coroa do seu rei e senhor a um príncipe
vassalo, e isto sem que houvesse uma única batalha, limitando-se a dizer: Amém.
Seria a
primeira vez na história da humanidade que um exército superior se rendesse a
outro inferior apenas pelo rosto bonito do inimigo invasor, neste caso Ciro, o
Persa.
Heródoto,
sendo o que foi, um homem do seu tempo, em caso algum um historiador dos
nossos dias, limitou-se a escrever a série de disparates que circulavam na sua época
sobre a ascensão de um príncipe de segundo plano ao topo do império,
fenómeno inexplicável que apenas a partir de uma perspetiva mítica o povo era capaz de
compreender, e que ele, um simples escritor, se limitou a recriar anos
depois dos acontecimentos, demonstrando ter pouca vocação para historiador e muita
para aquilo que era, isto é, um escritor.
Era
impossível que um príncipe da Pérsia, Ciro, não tivesse estado sujeito a vassalagem
na corte da Babilónia. Recordemos que, após a divisão do mundo por Ciaxares
e Nabopolassar, fruto da destruição do império de Nínive, a Pérsia ficou
relegada ao que sempre fora: uma potência obscura, com a diferença
de que, desta vez, à sua volta, a norte e a oeste, se tinham erguido dois reinos
fortes, perante os quais ao príncipe de Susa só lhe restava a vassalagem.
É verdade
que, por acordo, Ciaxares submeteu a Pérsia à influência do seu cetro e que
Nabopolassar cedeu essa influência em troca da fronteira ocidental, mais rica
e mais necessitada da sua atenção, se tivermos em conta que do outro lado do
Jordão e a oeste do Sinai se situava o Egito. Mas não é menos verdade que
a Média e o seu rei tinham na sua fronteira ocidental outro inimigo potencial de grande
importância nos povos helenísticos.
A Pérsia
ficou relegada para o recanto do império, em teoria dependente do rei da
Média, mas, na prática, exposta à corte do rei da Babilónia. Se a independência da Pérsia é
respeitada, isso deve-se a um acordo entre vencedores que
serve de símbolo de amizade perpétua entre Ecbatana e a Babilónia. Qualquer
revolta militar em prol da independência real de Susa poderia ser esmagada a
qualquer momento, tanto pelos caldeus como pelos medos. Daí que, se
Ecbatana procurava uma aliança com Susa para manter fechada a
fronteira com a Babilónia, Susa procurava a aliança com a Babilónia a fim de manter a sua autonomia
face a Ecbatana, o que se selava, como era habitual naquela época, através
da entrega, na qualidade de «hóspede-refém», de um herdeiro da coroa, neste
caso Ciro.
Temos
portanto que Astiages, o Gordo, herdeiro de Ciaxares e rei de Ecbatana, casou uma
das suas filhas com o pai de Ciro, numa aliança contra a Babilónia, que Susa aceitou
como garantia de autonomia face à corte de Nabucodonosor. E, por sua vez, o
pai de Ciro entrega como«refém»um dos seus filhos ao
rei da Babilónia, num gesto de submissão à coroa de Nabucodonosor, obrigando a
Babilónia a servir-lhe de baluarte contra qualquer violação dos acordos
assinados entre Ciaxares e Nabopolasar sobre o estatuto
da Pérsia.
A fim de
ocultar a teia de relações que tornou possível a ascensão do príncipe
persa ao trono imperial — e que iremos desvendar até ao fim —, foi ampliado o
conto infantil sobre a perseguição do filho da princesa da Média, entregue como
esposa ao pai de Ciro, a salvação mítica do seu filho por um pastor e a
conquista prodigiosa da Média e da Babilónia sem travar sequer, ou pelo menos, uma
batalha. Que dizer, pelo menos uma batalha! Mas não, nenhuma. E o mais curioso,
surpreendente e fascinante não é que um escritor de coisas fantásticas da sua
época não se tenha espantado com o conto; o mais alucinante de tudo é que os
próprios que pretendem dar-nos lições de História Universal tenham engolido
esta história. E o que mais dá risa é ver que essas gargantas tão profundas
foram capazes de afirmar as «Histórias» e negar a História: afirmando, no
Século das Luzes — Deus nos livre das suas luzes —, que nunca existiu uma
Nínive, nem uma Tróia. Afirmações para idiotas que, se sob as Luzes da
Idade Moderna foram tomadas no século XVIII como palavra de Deus, no século XIX Deus
mergulhou as mãos no barro e esfregou-lhes Nínive na cara. Não é nenhuma
acusação, mas sim retirar-lhes a máscara de infalibilidade que os historiadores do século XX
reivindicaram para si.
Os
factos falam por si. Primeiro, a Média. O general-chefe do reino dos medos desce
do seu cavalo e coloca as suas forças militares às ordens do príncipe de um
reino vassalo. De ânimo leve!
Um ato
incrível que a lenda assinada por Heródoto atribui aos ciúmes do
general-chefe das forças medas, que, ressentido porque a mãe de
Ciro, outrora sua noiva, lhe fora arrebatada pelo seu rei e futuro sogro
para ser entregue como esposa ao rei da Pérsia, blá blá blá... uma história digna dos contos de uma
Noite de Verão de Shakespeare... porque o rei Astiages teve um sonho em que
via a sua dinastia destruída pelo fruto da união da sua filha com o chefe dos seus exércitos,
oh la la!, e, aterrorizado, entrega a sua filha, a
noiva do chefe dos seus exércitos, ao rei de Susa, afastando assim o
perigo de Ecbatana, uma bola que, com o tempo, voltaria ao seu telhado para
derrubar todo o edifício...
Pois é,
de graça!, depois de entregar o reino a um príncipe vassalo, também
toda a Babilónia abre as portas a este mesmo príncipe de segunda categoria... de
graça!
Na verdade,
é preciso ser um idiota para ouvir esta história e dar atenção a tais
Crónicas da Verdadeira História da Humanidade.
E tudo
isto depois de a Babilónia ter contido o Egito, fechando ao
faraó o caminho para a Lídia; um faraó que, apesar de se encontrar nos antípodas destes
acontecimentos, se tinha levantado e estava a pressionar o rei da Babilónia para
se levantar e fazer alguma coisa, unir-se a Creso e devolver a Astiages o trono que o seu
servo lhe tinha roubado para Ciro, sem qualquer motivo!
Creio eu
que é preciso ser um verdadeiro idiota para não ver, naquela marcha triunfal de um
príncipe de segunda classe nas relações do Poder da época, uma teia de
forças internacionais unidas por uma mesma causa, núcleo pensante e dirigente
das ações de todos aqueles que entregaram o Império a Ciro, a quem ele retribuiu
com o Edito da Liberdade, que se ergue como a nossa principal e mais
poderosa prova da ligação do mundo judaico com a mudança transcendental que toda a
civilização sofreu na sequência da ascensão de Ciro ao trono imperial.
O Mistério de Dioces, o Medeu
Outra das
histórias que os eminentes historiadores da Idade Moderna relataram sem
se abalarem, ou seja, sem qualquer desejo e muito menos capacidade para
desvendar, refere-se ao mistério da formação milagrosa do reino dos
medos. A lenda volta mais uma vez a elevar-se aos altares da História e
deixa a misteriosa viagem de Dioces, fundador do
reino dos medos — da qual regressou com as chaves daquela que viria a ser
Ecbatana, a sua capital —, nas brumas do suculento universo dos mitos.
A
estrutura histórica é inequívoca e não se presta a fábulas. Mas não esqueçamos
que, se Heródoto não fazia a mínima ideia da existência da Bíblia, os
historiadores modernos, cegos pelos seus preconceitos antissemitas, fizeram
total sobre a revolução que tornou possível a transição de uma nação composta por
tribos em estado bárbaro para uma sociedade sujeita a uma estrutura monárquica. E mantêm
silêncio porque esta revolução teve lugar na sequência da deportação dos
israelitas para as Montanhas do Leste.
Desde os
tempos de Tiglate-Pileser I, lá no século XII a.C.,
os assírios já conheciam a existência dos povos bárbaros do Norte. Mas
só nos tempos de Salmanasar III, no século IX, é que o confronto com
esses bárbaros das montanhas a norte da Assíria se tornaria periódico.
Salmanasar deparou-se com um conjunto de cerca de 27 tribos, cada uma delas sujeita ao seu próprio
príncipe, e cuja estrutura militar e social era a típica de todas as
nações indo-europeias nos seus primórdios, ou seja, anárquica, fruto da
teoria da liberdade que sempre foi natural a todos os bárbaros.
Que
aquelas 27 tribos do Norte provinham de outras partes do mundo e que entre
elas se encontrava o povo dos medos, por sua vez dividido em tribos, é
algo bem conhecido. O problema é que os historiadores modernos tenderam a moldar
todos os dados com o objetivo de criar uma História à medida da sua
mentalidade: que, no entanto, sendo a sua escola de mentalidade imperial, essa
reconstrução não obedeceu, em caso algum, à Lei do Poder. De qualquer forma,
há dados que lhes era impossível contornar e, por mais que lhes pesasse, tinham de aceitar como
factos. A ligação entre os medos e os persas, refletida nas relações
comerciais entre esses povos do Norte e as nações a sul da Assíria, é
um desses dados incómodos que evitaram, na medida do possível, para não
corrigirem as Histórias do seu mestre.
O facto
é que, durante o reinado de Salmanasar III, os medos continuavam a ser tão selvagens
como o tinham sido durante o reinado de Tiglat-Pileser I,
dois e três séculos antes.
Entendo
por «selvagens» o facto de não saberem estruturar um Estado nem definir uma
civilização própria.
Samshi Adad IV e Adad-Nirari III — sempre no
século IX — impuseram tributos aos medos e aos povos aliados das montanhas,
mas sem nunca conseguirem reduzi-los ao jugo da Assíria nem conquistá-los para a sua
civilização. A lei da liberdade dos bárbaros era preferível à lei da
escravatura que imperava desde Nínive. E sob essa lei continuaram
a multiplicar-se e a crescer.
Tanto que,
quando Tiglat-Pileser III, em meados do século VIII, se
lançou à conquista de glória e fama para a eternidade e invadiu o país
do Norte, deparou-se com os chefes bárbaros, derrotando-os a todos, um por
um: conduziu de volta à Assíria uma caravana de escravos que se contava por
dezenas de milhares de pessoas. Pouco tempo depois, a geração seguinte
rebelou-se contra o jugo assírio, mas sem outra consequência senão a repressão da
revolta e a aniquilação de uma população já dizimada pela primeira
guerra contra Tiglat-Pileser III.
Assim,
quando Sargão II, em 722, arrasou o reino de Israel e destruiu Samaria, a
Branca, cujas cúpulas de marfim brilharam ao sol dos séculos, para
desespero do Deus de Abraão, Isaac e Jacob, que viu o povo eleito afundar-se na
idolatria — factos já descritos na Bíblia —, e deportou os
sobreviventes de Israel para a terra dos medos, a nação dos bárbaros
do Norte, que experimentou uma transfusão de sangue guerreiro; sob cuja pressão, já
aquecido pelo desejo de vingança da nação que recebeu este novo
sopro de vida, se levantou em rebelião contra o inimigo comum, vivendo em conjunto a
derrota e o exílio do líder da revolta, o misterioso e enigmático Dioces da Lenda Meda.
Devemos
considerar uma vergonha para os historiadores do Antigo Oriente Médio
o facto de nunca terem querido abrir os olhos para este encontro de dois povos num
mesmo tempo e lugar: um altamente evoluído, o israelita, cuja origem
como reino e Estado remontava aos dias de David e Salomão, e o outro no seu
estado mais selvagem, ambos sujeitos ao mesmo despotismo imperial, e que selaram
a sua união através do sangue derramado na revolta de que Dioces foi o líder. Esses historiadores da escola
de Heródoto, inimigos por princípio da influência todo-poderosa do elemento
semita na História da Civilização — na medida em que o semita é o judeu —,
encerram o capítulo da confluência destes dois povos, o israelita e o
medo, na revolta contra o inimigo comum, Sargão II, afirmando que as tribos
bárbaras voltaram a submeter-se ao jugo, enterrando assim as suas
proeminências no esquecimento — a «Conexão Israelita».
Esta
ligação israelita ao futuro do povo medo tornou-se tão decisiva e
transcendental que o que até então era impossível — unir todas as tribos numa
única nação — tornou-se realidade e, da noite para o dia, os bárbaros elegeram
um rei, construíram uma capital e organizaram-se sob a estrutura de um
Estado. Ora, a explicação para a criação de um Estado da noite para o
dia tem duas vertentes. Uma é para mentes limitadas, a outra é a
expressão da realidade. A Idade Moderna preferiu a primeira. A realidade é
que a evolução, ao longo de uma geração — a de Dioces —,
da transição de uma estrutura bárbara para outra estatal, implicou uma verdadeira
revolução. E para que esta se concretizasse, era necessário contar com especialistas na
matéria, um povo altamente civilizado, formado na estrutura de poder que
representa a formação de um reino.
Esta
revolução ocorreu precisamente quando o povo israelita entrou na Média.
E qualquer explicação para esta transição revolucionária, através da qual um povo composto por
muitas tribos bárbaras, em estado de anarquia durante séculos, se funde numa
Coroa e num Estado imperial, que não passe por esta ligação, resulta numa
história para pastores analfabetos, que seria a história que Heródoto relatou
ao falar de Ciro.
A
formação do Império de Ecbatana tinha um único objetivo: a destruição de Nínive.
Foi sob a força da vingança perpétua, selada com sangue durante a
revolta que Sargão II reprimiu contra os israelitas e os medos, que o neto de Dioces,
o Ciaxares da História Universal, e pai daquela que viria a ser a esposa de
Nabucodonosor, fez com que a nova nação, fruto da união do povo israelita
com a nação dos medos, se lançou contra a Assíria e arrancou Nínive de raiz da
superfície da Terra.
Queda de Nínive
Na
aquela revolução fundadora que esteve na origem da formação do reino medo, e como é
de compreender a partir da lógica do Poder, para conferir coesão à sua coroa militar, Dioces completou o quadro do seu estado-maior com o
elemento israelita, agora uma tribo unida pelo laço de sangue à nação dos
medos e pelo Estado à coroa do rei de Ecbatana. Tratava-se do estabelecimento
de uma monarquia civilizada sobre um substrato bárbaro, em que a liderança
era mantida pelo elemento bárbaro, e a sua consistência assentava no
elemento estrangeiro, altamente evoluído, mas que, devido à sua condição de nova
tribo, não podia assumir a coroa. E esta estrutura de obediência ao
monarca, algo natural no elemento israelita, mas estranha ao sangue bárbaro,
seria a coluna fundamental sobre a qual a dinastia de Dioces baseou o seu poder militar.
Que a
sede de vingança movia ambos os povos, o israelita e o medo, e foi o seio em
que ambas as linhagens se uniram para conceber a Coroa de Ecbatana, vê-se na
fervor com que o herdeiro de Dioces, Fraortes, o Jovem, se lançou contra o inimigo comum. A
culpa, como sempre, do assírio.
Durante
o reinado de Senaquerib, o Bibliotecário, o jugo de Nínive pesou de forma criminosa
sobre todas as nações a oeste do Eufrates. Preocupado em abafar com sangue
o grito de liberdade dos povos a oeste do Eufrates,
Senaquerib descuidou-se dos bárbaros do Norte, e Dioces aproveitou essa negligência para consolidar a sua revolução e legar à sua
dinastia um exército forte, preparado para saciar a sede de vingança da
Nova Nação. Graças à aventura de Senaquerib no Ocidente, Dioces estendeu a sua influência nas costas de Nínive,
celebrando com o povo dos persas a aliança típica entre amigos por
inimizade para com um inimigo comum.
Após a morte
de Senaquerib e Dioces, os filhos de ambos
enfrentaram-se no campo de batalha. Mas Assurbanipal revelou-se um rival
demasiado forte para Fraortes, o Jovem, cujo reino
ainda não tinha amadurecido o suficiente para equiparar a sua estrutura à de
um império. Assim, o seu sucessor, Ciaxares, retirou-se para o seu reino a fim de
dar-lhe o toque final. Que, como todos sabemos, atingiu o seu apogeu em 606,
o ano em que a sede de vingança da Nação do Norte se embriagou com o sangue
do inimigo odiado, o assírio, cuja capital foi arrancada da face da
Terra para nunca mais ser habitada pelos séculos dos séculos, tal como
anunciado por Deus no Seu Livro.
Entre a
ascensão de Ciaxares ao trono e a destruição de Nínive, temos a invasão
da Média pelos bárbaros das estepes siberianas, que atrasou a Hora Final,
mas que não conseguiu impedir que o desígnio divino se cumprisse à risca. No
franco daquele grito de vitória, quem tem ouvidos para ouvir ouve a língua do
hebreu erguer-se ao lado da do medo, ambas as almas embriagadas pelo prazer dos
deuses, ambas a elevar aos seus deuses a mesma ação de graças.
Não
devemos esquecer que Heródoto, grego, desconhecia a Bíblia e, por isso, a sua
capacidade de descobrir a existência do elemento israelita na origem da
Revolução Meda fica amplamente justificada; nem devemos deixar de
ver que os historiadores modernos, conhecendo a Bíblia e a história do
Oriente Médio pré-cristão, tapavam os ouvidos e arrancavam os olhos
em vez de reconhecerem o poder da influência do elemento semita, encarnado no
povo israelita, ao falarem da irrupção na História Universal do
reino dos medos. Será a partir desta ligação que se explica como um estado-maior,
composto pelo elemento israelita, dispôs a transferência da coroa,
que ele próprio criara, das mãos da casa de Dioces para as da
casa de Ciro. Razão essa que será explicada seguindo esta mesma estrutura de
raciocínio.
Crónicas da Babilónia
Mas se
os assírios semearam no Norte a semente de um ódio todo-poderoso que, a seu tempo,
daria frutos, a sul de Nínive esse ódio já era um facto que, agazapado como
a leoa que contempla sentada a sua vítima, o governador da Babilónia
aguardava o seu momento. Esse momento chegaria à Babilónia com Nabopolassar.
A par
do avanço do rei de Ecbatana, Nabopolassar lançou-se
contra o rei de Nínive, aplicando-lhe a mesma lei que este
tinha aplicado a todas as nações. Depois de esmagar o Império Assírio, Nabopolassar subiu ao trono, estabelecendo entre ele e Ciaxares
uma aliança de paz mútua, selada com o casamento entre a filha do rei do Norte e
o filho do rei do Sul.
E
seguiu-se imediatamente a divisão do mundo.
O rei da
Babilónia ficou com o território a sul dos Montes Tauros,
deixando todo o norte, e desde lá até aos confins da Anatólia Ocidental, para o rei da Média. O rei da Média deixava ao
rei da Babilónia o território a sul dos Tauros, e
desde lá até aos confins da Palestina, da Arábia e do Egito. Nas costas de
ambos os reinos ficava a Pérsia, região autónoma sujeita, em princípio, ao vassalagem
da coroa de Ecbatana, mas submetida à influência política da Babilónia.
A Pérsia, região sem um verdadeiro exército nem uma força estatal unificada própria, via o seu
poder como inimigo reduzido ao de uma província fronteiriça ao serviço
dos interesses mútuos de ambos os reinos. Devido à aliança matrimonial entre
Ecbatana e a Babilónia, qualquer revolta de Susa esbarraria numa barreira
impossível de transpor. No entanto, qualquer ultrapassagem dos limites de
influência sobre a Pérsia ditados por ambas as potências poderia alterar o
equilíbrio de forças e transferir a dependência de Susa de uma coroa para outra.
Um desequilíbrio que não interessava nem às coroas aliadas, ambas empenhadas nas
conquistas do Ocidente, uma pelo Norte e outra pelo Sul, nem à própria
coroa da Pérsia, demasiado fraca para resistir a um ataque conjunto das
forças de Ecbatana e da Babilónia.
Pelo
Norte, Ciaxares chegou até ao reino da Lídia, cuja conquista não se concretizou, e
pelo Sul, o rei da Babilónia chegou até ao Grande Mar, onde o filho de
Nabopolassar destruiu o reino de Judá, tal como está escrito.
Tal como
anteriormente o reino de Israel fora apagado da face da História, agora
cabia ao reino de Judá. E tal como anteriormente o assírio deportara a
flor e nata da juventude israelita sobrevivente para terras estrangeiras, com o intuito de
humilhar o seu orgulho e eliminar para sempre o perigo de uma revolta,
Nabucodonosor fez o mesmo com os sobreviventes de Jerusalém e do seu reino,
deportando para a terra dos caldeus a flor e nata da nação
sobrevivente.
Se, no
primeiro caso, a deportação não significou escravidão, mas sim partilhar o mesmo
ódio e desejo de vingança com a população da terra para onde os israelitas
foram deportados — unindo-se a ela, da qual surgiu, da fusão, uma Nova
Nação, com capital em Ecbatana —, neste caso, a deportação dos judeus
significou escravidão no seio da terra daqueles mesmos que destruíram o seu
reino.
Que
revolução poderia levar ao poder este povo de escravos cujo senhor tinha tanta
ou mais experiência do que o próprio povo judeu sobre a natureza estrutural de um
Estado e de um Império! Nenhuma. A menos que... De facto, Deus elevasse um judeu à
posição de chefe supremo do Conselho Privado do rei da Babilónia. E mesmo assim, e apenas se
esse homem de Deus conseguisse superar todas as intrigas contra a sua pessoa que
os membros do Conselho Privado do rei lhe iriam colocar no caminho.
Os
historiadores da Idade Moderna, mais preocupados em irritar a
Igreja Católica do que em penetrar nas estruturas do Passado,
descuidaram-se da influência e do poder dos magos na corte de
Nabucodonosor. O ódio ao elemento semita, por ser judeu, manifestou-se sempre
mais forte do que o seu sentido da verdade e, sempre que avistavam qualquer possível
ligação hebraico-judaica, viravam as costas e ignoravam completamente a tarefa de fazer
história, limitando-se a fazer jornalismo do passado: tal ano, tal rei, tal
guerra. Ponto final.
Mas o facto de,
na época do governo de Nabonido, o último dos caldeus, de origem
assíria para piorar ainda mais a situação, as chaves das grandes cidades fronteiriças estarem
nas mãos de generais judeus — dado que qualquer historiador pode confirmar —,
revela que o poder do chefe do Conselho Privado do rei e chefe dos
Magos da Babilónia, era de um alcance extraordinário. Tanto mais extenso quanto
mais poderosa fosse a figura do momento. No caso do profeta Daniel, este
poder deve ser multiplicado à sua potência máxima se tivermos em conta a sua
sobrevivência após a morte de Nabucodonosor e a sua presença na conspiração que
derrubou a sua dinastia e entregou a coroa a um príncipe estrangeiro, o
Nabónido da História. Ou será que se produz uma mudança dinástica sem que haja uma revolução
por trás? A ingenuidade dos historiadores modernos em não ver qualquer revolução
numa mudança de dinastia é tão grande quanto a sua perversidade em virar as
as costas à verdade, desde que com isso satisfizessem a paixão que os levava a
provocar a Igreja, com o único objetivo de demonstrar que são eles, e não Deus,
os verdadeiros artífices da História — se não da que é, pelo menos da
que foi.
Assim,
temos dois elementos de um mesmo corpo que se encontram no extremo oposto
para entregar a Coroa do Império ao nosso Ciro. De um lado, o elemento
israelita na origem da Coroa de Ecbatana e, do outro, o elemento judeu
à frente das cidades fronteiriças do reino da Babilónia.
Resta-nos
definir a natureza da revolução que levou Nabonido ao poder, Ciro
ao Império e Zorobabel ao regresso à Pátria Perdida.
Crónicas Persas
Poderíamos
dedicar um livro inteiro, de caráter enciclopédico, a este tema da
ascensão de Ciro ao Império e ao seu Edito de Liberdade Religiosa.
Os
ângulos são tão ricos em mistérios suculentos que dificilmente se poderia ignorar
uma nova versão da História.
Em primeiro lugar,
devido à série de impossibilidades expostas, ao ignorar as quais um príncipe de
segunda categoria enfrenta as superpotências da época e triunfa, escrevendo o
que Júlio, da Casa de César, viria a assinar: «Vini, vidi, vincit», mas este Júlio da Casa dos Aqueménidas
sem ter de travar uma batalha digna desse nome, exceto aquela que
travou contra Creso, o Lídio; e, em segundo lugar, porque desde quando é que, na cultura da
nação persa, a liberdade religiosa figurou como emblema.
Ainda nos
nossos dias, a genética trai aqueles que se proclamam sucessores daquele
Ciro, defensor das liberdades religiosas, e que, dizendo-se seus sucessores,
entendem por liberdade religiosa a destruição de todos os infiéis,
especialmente se forem judeus.
Naquele
jogo de forças entre as superpotências da época, era natural que as alianças
matrimoniais abrissem e fechassem caminhos. Por esta razão, o facto de o filho de
Ciaxares, Astiages, o Gordo, ter casado uma filha sua com o príncipe da
Pérsia não implicava qualquer direito de Susa à coroa de Ecbatana, da mesma forma
que o casamento entre a filha de Ciaxares e o filho de Nabopolassar não conferia
qualquer direito ao rei de Ecbatana sobre a coroa da Babilónia.
Desculpando
Heródoto pela sua ignorância, qualquer historiador sabe que a princesa
entregue em casamento de aliança passava diretamente a viver sob a coroa
do príncipe consorte. A fábula do príncipe Ciro, filho deste casamento,
que teria sido condenado à morte e salvo por um pastor, não tem qualquer
valor, a não ser o de tentar, de alguma forma, salvaguardar o direito de Ciro ao trono
da Média e revestir a sua incrível ascensão ao Império com o manto da
providência dos deuses.
Era
impossível que um príncipe de segunda categoria, como disse antes, sonhasse com a conquista
de todas as coroas das superpotências da época e, o que é ainda mais
fantástico, sem sequer ter de travar uma única batalha. Oh la la!
Superando,
portanto, Heródoto, voltamos à realidade. E a realidade é que, se Astiages casou
uma das suas filhas com o príncipe herdeiro da Pérsia, como costuma
acontecer em todos os casamentos deste tipo: esta aliança tinha como objetivo manter
a autonomia de Susa face à Babilónia, com Ecbatana a servir de lembrete à Babilónia de que
qualquer adesão que ultrapassasse a sua influência política sobre Susa daria origem
a uma guerra legitimada pelo sangue entre as coroas.
Pelo
lado de Susa, enquanto o rei dos persas assegurava o apoio do rei dos
medos graças ao casamento entre o seu herdeiro e a princesa de Ecbatana,
jogando em dois campos — coisas do poder! —, o rei dos persas mantinha a sua
independência política face ao rei de Ecbatana: vassalagem ao rei da
Babilónia, assinando com o caldeu o clássico acordo de refém de um herdeiro, pelo qual o primeiro, um reino de segunda linha, obtinha do
segundo, um reino de primeira magnitude, proteção e assistência ao abrigo da sua
independência em relação ao rei dos medos. Seria nesta corte, e não na
cabana de nenhum pastor, que Ciro seria criado.
Recordemos
que, na altura em que Ciro teve de ser entregue — daí a lenda do
seu desaparecimento de Ecbatana e Susa — às mãos da Corte
caldeia, a chefia da Casa dos Magos e a presidência do Conselho Privado do Rei
da Babilónia, e, portanto, no comando dos reféns reais, este poder estava nas
mãos de um judeu chamado Daniel.
Observemos
ainda que o mesmo processo que Nabucodonosor levou a cabo com Jerusalém,
destruindo a cidade e levando consigo os seus príncipes sobreviventes, esse
mesmo processo foi o que o seu pai, Nabopolassar, levou a cabo com Nínive, destruindo
a cidade e deportando para o seu reino os seus príncipes sobreviventes, dos quais,
da mesma forma que dos judeus sobreviventes surgiria o príncipe Zorobabel,
ambos criados na corte de Nabucodonosor sob a tutela do próprio Chefe da
casa do rei, o mago e profeta Daniel, surgiria mais tarde Nabonido, o futuro rei após
o golpe de Estado que derrubou a dinastia de Nabucodonosor.
Ciro,
a encerrar esta incursão, estava ligado, por parte de mãe, à coroa dos
medos e, por parte do avô materno, ao próprio Astiages, filho de Ciaxares.
Astiages, irmão da esposa de Nabucodonosor, sendo o avô materno de
Ciro, ligava o seu neto, sem o querer, à coroa da Babilónia. A
oportunidade de unir estas três coroas — a persa, a caldeia e a meda — numa
mesma cabeça era extraordinária. Ciro tinha direitos legítimos de sangue sobre
as três coroas da época. Obviamente, para tal, era necessário derrubar a
dinastia de Nabucodonosor, colocar no trono um rei fantoche, Nabonido, submeter
as cidades fronteiriças a homens fiéis ao Mago da Babilónia, judeus como ele
próprio, e superar o confronto com o rei de Ecbatana. Algo não muito difícil
de fazer se o Grande Mago do Oriente tivesse em conta que o quadro do Estado
da Coroa da Média estava nas mãos de descendentes de israelitas, todos
filhos do mesmo Abraão, nos ouvidos dos quais a Vontade de Deus, que tinha
dispostos a ascensão ao trono de rei dos reis de Ciro, o persa, encontraria
uma alma bem disposta.
Qual
seria o preço que Ciro pagaria?
A
Liberdade!
Crónicas
Judaicas
Nem tudo
o que reluz é ouro. E no invólucro da imagem antissemita arquetípica,
que retrata o judeu como o clássico avarento, criatura miserável a rastejar entre as
esferas do poder, o ouro não só não reluz como é pura pintura. Só
após a destruição de Jerusalém pelos romanos e a coexistência do judeu no
Islão e contra o cristianismo é que esta imagem começou a ser construída e se
completou, transformando o judeu na mais abjeta espécie de verme, sem lealdade para com
ninguém e capaz de trair o amigo de hoje se o inimigo de ontem chegar ao
poder e a sua sobrevivência amanhã depender da do inimigo de hoje, que foi
o amigo de ontem. Mas no que diz respeito ao hebreu, israelita ou judeu, dos
tempos anteriores a Cristo, e especialmente durante os séculos XVI a VI,
ou seja, um milénio inteiro, o hebreu era um guerreiro nato forjado no campo
de batalha, cuja fama se consolidou a nível mundial durante os dias de David.
Mas
acreditar que um guerreiro nato é esmagado enquanto o seu peito ainda tem vida é um
erro, que, com o passar do tempo, custou a existência a Nínive. Um guerreiro só
deixa de existir quando morre. O próprio espírito de liberdade opôs o reino de Judá
ao império da Babilónia. A imagem que o mundo daquela época tinha do judeu era
a de um soldado corajoso e valente. Uma verdade que realça a porta que se
lhe abriu para a liberdade através da sua entrada no exército babilónico, servindo
no qual os seus chefes chegaram a alcançar os mais altos cargos nas
cidades das fronteiras do reino. Com a ajuda do chefe dos Magos? Pois
sim, sempre; mas nenhuma influência tem peso quando se trata de
defender cobardes que, se assim fossem, nem mesmo dez como Daniel, o rei da
Babilónia teria aceitado as suas nomeações para guardas dos Portões do
Reino.
O Edito
da Liberdade que Ciro assinou ao entrar em Babilónia tinha sido redigido há muito
tempo e o novo rei da Babilónia limitou-se a apor o seu selo. Este
Edito é a chave que abre a porta a todo o mistério daquele século: a
ascensão de Ciro, a queda da Babilónia e de Ecbatana, a cumplicidade da
Babilónia perante a queda do reino da Lídia e a sua recusa em aliar-se ao Egito
para apoiar a Lídia e impedir a fundação do império de Ciro. E, ao mesmo tempo,
permite ver a natureza da caravana que o príncipe Zorobabel liderou desde
a Babilónia até Jerusalém.
Quero
dizer que Zorobabel conduziu um exército armado, enriquecido pelos tesouros da
Comunidade da Grande Sinagoga do Oriente e exaltado pela tribo sacerdotal,
mas, acima de tudo, Zorobabel era príncipe e aqueles que o acompanharam
foram os mesmos generais e soldados que abriram as Portas do Reino a
Ciro, dos quais Ciro felizmente se livrou, pensando que, tal como tinham
desertado do seu antigo senhor, poderiam desertar do novo senhor, e que para o seu Império era
melhor ter tais servos, leais apenas ao seu Deus, fora do exército do que
dentro do exército.
O relato
bíblico é prova suficiente para confirmar a veracidade da
natureza armada da Caravana do herdeiro da coroa de Salomão. Como já disse,
a imagem arquetípica do judeu que se instalou na nossa memória ao longo dos
últimos séculos não pode ser transposta para a época de que estamos a falar.
Zorobabel lidera um exército de ocupação com plenos poderes de defesa armada
contra os ocupantes da Pátria Perdida. Que, como se lê, não tardaram em
tentar destruí-los. O que não conseguiram, porque aqueles colonos
pedreiros, carpinteiros e outros, por baixo do disfarce do trabalho, empunhavam a espada do
soldado. E tinham permissão de Ciro para se defenderem e fazerem valer as suas vidas. O que
é a Liberdade sem o direito à defesa da Vida?
Fica
implícito no seu Edito que Ciro não concedeu aos judeus a liberdade
para invadir o país e transformar Zorobabel em Josué, em plena Reconquista. Do
Edito depreende-se que os judeus compraram a sua liberdade para regressar à sua
pátria e estabelecerem-se na terra, seguindo as leis do estabelecimento
pacífico e à submissão das novas populações aos deveres imperiais. Sob
estas premissas, como vemos no relato bíblico, Zorobabel e os seus homens
reconstruíram Jerusalém, estabeleceram-se e começaram a expandir-se pela
herança dos hebreus.
Eis
aqui o famoso Edito de Ciro
A. —
Eu sou Ciro, Rei do Mundo, grande rei, rei poderoso, rei da Babilónia, rei das
terras da Suméria e da Acádia, rei das Quatro Regiões, filho de Cambises,
grande rei, rei de Ansán, neto de Ciro, grande rei, rei de Ansán, descendente de Teispes, grande rei, rei de Ansán, descendente de uma linhagem real sem fim, cuja lei
Bel e Nabu abençoam, cujo reinado agrada aos deuses.
Quando me
senti preparado, entrei na Babilónia e estabeleci o meu reino no palácio dos
reis, entre júbilo e alegria. Marduk, o Deus Altíssimo, inclinou o
coração dos habitantes da Babilónia para mim, e eu adorá-lo-ei todos os
dias.
E continua:
B. — Pelas
minhas ações, Marduk, o Senhor Todo-Poderoso, regozijou-se e a mim, Ciro, o rei que-lhe
presta adoração, e a Cambises, meu filho, a força das minhas coxas, e a todas as minhas
tropas Ele abençoou, e por isso, com espírito de graça, glorificamos em
excelência a sua Altíssima Divindade.
Todos os
reis que se sentam nos seus tronos, de um extremo ao outro das Quatro
regiões, do Mar do Norte ao do Sul, que habitam em... todos os reis
do Ocidente que vivem em tendas, prestaram-me tributo e vieram beijar-me
os pés em Babilónia. Desde… até às cidades de Assur,
Susa, Acad e Eshunna, as cidades de Zamban, Der, até aos confins da terra dos Gutis,
fiz regressar os deuses aos seus locais de culto desde tempos muito antigos, às suas
cidades sagradas em ruínas desde tempos remotos.
Reuni
todos os seus habitantes e restaurei as suas cidades. Os deuses da Suméria e da Acádia, que
Nabónido, contra a ira dos deuses, trouxe para a Babilónia, eu, pela
vontade de Marduk, o Senhor Deus, fiz regressar às suas cidades de culto.
Que
todos os deuses intercedam por mim perante Bel e Nabu durante todos os dias da minha
vida, e digam ao meu Senhor, Marduk: «Que Ciro, o rei, teu servo, e Cambises, o seu
filho...»
E conclui
assim:
C. -
Agora que sou rei da Pérsia, da Babilónia e das nações das Quatro Regiões
com a ajuda de Marduk, declaro que respeitarei as tradições, os costumes e
as religiões das nações do meu império, e não permitirei, enquanto viver, que
nenhum governador sob o meu comando as insulte.
A partir
de agora e para sempre, enquanto Marduk dispor do reino a meu favor, não imporei
a minha religião a nenhuma nação. Cada nação é livre para a aceitar, e se alguma
a rejeitar, eu nunca me levantarei contra a sua liberdade para lhe impor a minha crença.
Enquanto eu for rei da Pérsia e da Babilónia, e das Quatro Regiões, não
permitirei a opressão religiosa de uma nação sobre outra, e, caso isso aconteça,
castigarei o opressor e devolverei o seu direito ao oprimido.
Enquanto
eu for rei, não permitirei que ninguém se aproprie nem exproprie os
bens alheios por meio da força ou sem compensação. Enquanto eu viver,
proíbo o trabalho em condições de escravidão.
Hoje, eu
declaro: que todos são livres para escolher a sua religião; que todos
são livres para escolher o seu local de residência, entendendo-se que este direito não anula
o dever para com a lei do próximo; que ninguém poderá ser responsabilizado pelos crimes
ou faltas dos seus familiares.
Proíbo
a escravatura e os meus governadores têm o dever de proibir a troca de
pessoas por bens dentro dos seus domínios. Tal costume deve ser erradicado
da face da Terra.
Rogo a
Marduk que me conceda cumprir as minhas obrigações para com as nações da
Pérsia, da Babilónia e das restantes das Quatro Regiões.
CAPÍTULO 7
36
O Quarto
Homem.
E o que
diria o príncipe assírio Nabonido sobre a passagem do império das mãos dos
caldeus para as dos persas?
Será que
se juntaria ao bombardeamento a partir do interior da fortaleza do inimigo?
Aceitaria
Nabónido ser um peão no xadrez do Profeta-Mago?
O que
poderia Nabonido oferecer-lhes em troca da possibilidade de reconstruir Nínive em
algum lugar do Sul? Dar-lhes-ia aos Magos de Daniel as Chaves do Reino?
Nabónido
abanou a cabeça.
«Vais
retirar-te para a cidade que escolheres, longe de mim», tranquilizou-o Ciro, rindo.
Sábio,
digno discípulo do Chefe dos Magos, Nabonido construiu a sua cidade num
oásis perdido no coração de um Éden por ele próprio semeado. Ciro desatou a rir. A astúcia do
Quarto Homem não apanhou Zorobabel de surpresa.
O
mistério em questão é descobrir como é que um príncipe assírio conseguiu
subir ao trono da Babilónia. Mistério cujo segredo podemos deduzir a partir
da queda da dinastia de Nabucodonosor nos dias de Balthazar. Aquela jogada
mestra de Estado que elevou Nabonido ao poder revela a identidade assíria
do peão movido por Daniel no sentido da transferência final do império para as
mãos de Ciro, quando esse peão se limitou a entregar Babilónia ao novo rei
do mundo. Entrega que deixou nas mãos do seu padrinho hebreu desde o início
mesmo início do seu reinado, e que se traduziu, no final do mesmo, no facto de
os exércitos babilónicos se encontrarem nas mãos dos judeus. Daniel poderia muito bem ter
usado a teia que teceu para dar outro golpe de Estado e colocar no
trono o herdeiro de Judá. Mas não o fez.
37
A
Reconquista do Reino Perdido.
A
doutrina profética de Daniel encontrou em Zorobabel uma estrela cheia de vida.
Tratava-se de reconstruir Jerusalém, assentar a primeira pedra do Templo e
adquirir pacificamente a terra de Judá. Jerusalém funcionaria como
colónia-mãe. O governador da cidade seria o chefe supremo da Colónia;
sob o seu comando, os grupos escolhidos deslocar-se-iam para onde tivesse sido determinado
pelo conselho dos sábios.
A
segunda fase profética dizia que, no máximo, dentro de um par de séculos, o rei da Grécia
entraria na Ásia e derrubaria o Império de Ciro. A conquista da Babilónia
pelo Ocidente seria seguida pela divisão do império do conquistador grego
em quatro reinos. Pouco tempo depois, nasceria um reino que se estenderia por todo o mundo
e derrotaria os quatro reinos. Nesses dias, o anjo da liberdade tocaria
a trombeta e as colónias judaicas levantariam-se em guerra de
independência. Até lá, cada filho de Israel deveria ater-se ao projeto
original.
38
Sob o
jugo dos helenos.
Entre os
historiadores do século XX, impôs-se a teoria da criação a posteriori dos
livros bíblicos. Do ponto de vista do ateísmo, Alexandre, o Grande, não conquistou a
Ásia posteriormente, mas sim os judeus escreveram o que aconteceu após a morte
do grego.
Alheios às
opiniões de todo o mundo, a partir da sua torre em Seleucia do Tigre, os Magos
do Oriente acompanharam o desenrolar dos acontecimentos. As sinagogas de todo o
mundo enviam-lhes notícias dos locais onde viviam, de quem governava,
que sistema político tinham e das mudanças dinásticas.
«Os
problemas entre persas e gregos começaram. O rei do Norte, Filipe,
subjugou toda a Grécia. O dia da Vingança pelos homens de Leônidas em
Termópilas começa a raiar» — trouxe na pata até Seleucia do Tigre uma
pomba branca.
A
resposta chegou rapidamente a Jerusalém. Dizia: «Todos os filhos de Abraão devem
preparar-se para receber o Conquistador com palmas e vivas. Em breve, com a morte
do filho de Filipe, o seu reino mergulhará numa longa guerra civil. Sobreviverá
à sua destruição, dividindo-se em quatro reinos.»
E assim
foi.
O
cadáver de Alexandre ainda nem tinha arrefecido e os seus generais já se estavam a matar uns aos outros. Por
fim, perceberam que o diabo lhes tinha mostrado os chifres e deixaram de se devorar uns aos outros.
Foi
Seleuco I, o Invencível, quem ficou com o império de Ciro, além do que
Alexandre conquistou deste lado do rio Indo. Não reconstruiu Babilónia; em vez disso,
criou uma nova cidade nas margens do rio Tigre. Chamou-lhe Seleucia do Tigre.
Seleucia
do Tigre foi concebida para funcionar como porto comercial interior
entre o Extremo Oriente e o Ocidente. Não esqueçamos que, na sua sabedoria para
controlar a passagem de caravanas e navios do Oriente para o Ocidente, o rei Salomão
tinha as suas minas.
39
Jerusalém
clama por Liberdade.
A parte
do crocodilo ficou com Ptolomeu. Desde que viu os planos de Alexandre, o Grande,
para Alexandria do Nilo, o jovem Ptolomeu foi tomado pela paixão por aquela
Nova Atenas que o filho de Filipe pretendia construir nas costas do Egito.
Preciso e
silencioso como o crocodilo quando ataca, com os olhinhos de cada lado do
focinho, avançando pela água sem soltar ar, sem mexer uma pálpebra, mais rígido
do que um tronco, o jovem Ptolomeu avançou as suas posições na véspera do
funeral do seu Herói. Primeiro proclamou-se senhor e dono do Egito; depois, os
deuses diriam.
40
A
ganância dos reis.
A
ambição sem limites de Seleuco foi o fantasma pessoal da casa dos
Seleúcidas. O homem morreu com a dor de ter perdido Jerusalém numa
aposta de lagartos. E a sua família, incapaz de aceitar a derrota perante as forças
dos Ptolomeus egípcios. As guerras
heleno-egípcias pela posse de Jerusalém foram a constante vital do
Oriente Próximo desde a morte de Alexandre até ao reinado dos filhos dos
Macabeus.
A
instabilidade — hoje tenho Antioquia como senhora, amanhã tenho Alexandria — afetou
Jerusalém. Os seus filhos, cansados, adormeceram nos louros de quem
conseguiu livrar-se dos seus fantasmas messiânicos. Ao acordarem,
viram-se presos nas garras de uma solução final, que não foi a
primeira nem seria a última.
41
O Segundo Reino de Israel.
Jerusalém viveu em pânico a perseguição religiosa de
Antíoco IV. Era algo que nunca lhes tinha ocorrido que lhes pudesse acontecer.
As Escrituras diziam que, após os quatro reinos, viria a Liberdade. Ficaram
paralisados, tal como a notícia os apanhou de surpresa. Em que é que tinham
estado a pensar? No nascimento de uma criança descida do céu que viria e lhes
resolveria todos os problemas?
Iriam comer perdizes e seriam felizes!
Na verdade, alguns comiam-nas todas e os outros
contentavam-se com galinhas. Por isso, quando Judas Macabeu regressou à sua pátria e
assumiu a liderança da resistência com o seu esquadrão de desertores, juntaram-se a ele
todos aqueles que não tinham nada a perder e tudo a ganhar.
A linha do tempo desde os Macabeus até ao Nascimento foi
a seguinte:
Judas Macabeu governou de 166 a 161. Judas comandou,
portanto, os exércitos do Senhor de vitória em vitória durante cinco anos.
Não se sabe ao certo, ou nunca foi escrita a verdade sobre a origem da
formação militar deste líder. É mais do que provável que, conhecendo a
estrutura dos exércitos imperiais selêucidas, este Judas fosse o chefe do
Esquadrão Judaico, à frente do qual desertou ao tomar conhecimento dos planos assassinos do
rei, que, ao partir para a grande aventura da conquista da Ásia perdida,
ordenou ao regente do seu reino a solução final antijudaica que esteve na origem da
rebelião em curso.
Talvez não seja fácil recriar a vida de Judas antes do seu
aparecimento como encarnação do Martelo de Deus. Mas, como já referi, a
estrutura militar do império baseava-se no recrutamento de esquadrões de
todas as províncias sob a coroa do rei. Entre eles deve ter existido um
Esquadrão Judeu, que, sem qualquer dúvida, serviu sob a bandeira imperial até
que, ao regressar da sua frustrada invasão do Egito, o rei desse vazão à sua
impotência contra Jerusalém.
Escandalizado com essa ação, é de
supor que a deserção já estivesse decidida, e consumou-se quando, ao dirigir-se
para a Babilónia, Antíoco IV tentou levar consigo o Esquadrão Judeu,
deixando a solução final para os judeus à mercê de Lisias e dos seus generais.
A par das intenções do rei, Judas, chefe do
Esquadrão Judeu, desertou com os seus homens. Ao chegar à Judeia, deparou-se com o
massacre e, fugindo com o pai e os irmãos, declarou-lhe a guerra de
guerrilha ao Império. Quando Apolónio, o general designado por Lisias para
resolver o problema judeu, chegou à Judeia, deparou-se com um líder que
conhecia perfeitamente as táticas e estratégias militares do exército
imperial, sob cuja bandeira o Macabeu servira toda a sua vida.
Em 161, no entanto, abandonado pelos seus à frente
dos seus 800 bravos, Judas morreu tal como viveu, vendendo cara a sua vida. Os restantes
feitos bélicos de Judas estão escritos na Bíblia.
O seu irmão Jonatão sucedeu-lhe no comando militar dos exércitos do
Senhor. Jonatão governou o país de 161 a 143. As
aventuras militares de Jonatão também estão registadas na Bíblia. Como
recebeu o sumo sacerdócio das mãos do rei Alexandre Balas, como se
desenvolveu a jogar em duas frentes e como, finalmente, foi apanhado por
traição e condenado à morte.
O seu irmão Simão sucedeu-lhe na liderança do país. Este
governou de 143 a 135. Simão foi quem realmente conquistou a
independência. Em recompensa por isso, o povo judeu concedeu aos
seus herdeiros o governo a perpetuidade. Arrependido pela
perda da Judeia, o rei de Antioquia ordenou ao seu general Cendebeo que a reconquistasse. Simão e os seus
filhos, Judas e João, derrotaram o invasor. A liberdade não salvou Simão de cair
vítima de traição, tal como o seu irmão Jonatão.
Após a morte de Simão, o seu filho João assumiu o poder. João
Hircano I reinou de 135 a 105 (sempre a.C.). Se, a princípio, parecia
que a invasão da Judeia pelo rei da Síria iria destruir tudo o que
tinha sido conquistado pelos Macabeus, o primeiro dos Asmoneus conseguiu
sair vitorioso e, além disso, conquistar Samaria, a Idumeia e territórios a
leste do Jordão. Foi este João Hircano I que, ao obrigar todos os
não judeus do seu reino a circuncidarem-se, preparou o caminho para o trono de Herodes.
Sucedeu-lhe o seu filho Aristóbulo I, «o rei louco». No
início, o seu pai legou-lhe apenas o sumo sacerdócio, reservando o governo para
a sua mãe. João enlouqueceu, prendeu a sua mãe e os seus irmãos e
proclamou-se rei. Morreu um ano depois.
Das profundezas da terra surgiu um rei para Jerusalém. Chamava-se
Alejandro. Reinou de 104 a 78. Sob o seu reinado, choveu sangue a
jarradas sobre Jerusalém. Foi durante o seu reinado que as estrelas de Abias,
pai de Zacarias, marido de Isabel e bisavô de Maria, mãe de Jesus, e
Simeão, o Babilónio, pai do Simeão que acolheu nos seus braços o Menino na sua
apresentação no Templo — os Semayas e Abtalión da história oficial judaica — brilharam em todo o seu
esplendor.
Após a morte do asmoneu, a sua esposa Alexandra,
também conhecida como a rainha Salomé, sucedeu-lhe. De 76 a 69, a rainha Alexandra governou
o reino em paz. Ela restabeleceu o Sinédrio e foi durante o seu reinado que teve
lugar a busca secreta pelo herdeiro da coroa de Salomão.
Após a sua morte, os seus filhos Hircano II e Aristóbulo II
entraram em guerra, que em 63 fora contida por Pompeu, o Grande.
Hircano II permaneceu como etnarca durante toda a vida de Pompeu, e Antípatro,
pai de Herodes, de origem idumeia, como general dos exércitos da
Judeia até à sua morte. Foram os partidários de Pompeu que assassinaram, em
Roma, Aristóbulo II, em 49, e, no mesmo ano, o seu filho Alexandre foi assassinado em
Antióquia por ordem do próprio Pompeu. Durante estes anos, teve lugar a
ascensão ao cargo de arquivista do Templo de Zacarias, filho de Abias.
Por aquelas datas, os partos invadiram a Judeia e
coroaram rei o outro filho de Aristóbulo II, a quem chamavam Antígono. Este
cortou o nariz e as orelhas ao seu tio Hircano II e exilou-o na Nova
Babilónia. Com este aliado circunstancial de Zacarias e da sua saga, na Grande
Sinagoga dos Magos do Oriente, as comunicações entre os Magos e Zacarias e os seus
homens aceleraram as suas idas e vindas.
De qualquer forma, eram tempos difíceis para os Asmoneus.
Aproveitando-se das guerras civis romanas, Herodes derrotou Antígono, filho de
Aristóbulo II, sobrinho de Hircano II, e decapitou-o (ano 37).
A tragédia dos Asmoneus ainda não tinha terminado.
Sedento de sangue, o rei Herodes assassinou o neto de Aristóbulo II e o próprio
Hircano II, a quem tinha chamado da Babilónia com promessas de paz e bem-estar. Também
assassinou as asmoneias Alexandra e Mariana, a rainha Mariana. E, finalmente, os
seus filhos Alexandre e Aristóbulo, filhos da rainha Mariana.
No ano de 7 a.C., toda a linhagem dos Asmoneus, tal como
tinha sido profetizado por Abias, tinha sido eliminada da face da terra. Herodes ficou
como único senhor e dono de Jerusalém. Herodes foi o primeiro e o último rei
que o Segundo Reino de Israel conheceu.
42
O Rei Messias.
José e Maria, pais de Jesus, nasceram durante os
primeiros anos do reinado de Herodes. José devia ter cerca de quarenta anos
quando teve o seu primogénito, e Maria um pouco menos quando deu à luz o seu
filho único. Segundo este cálculo, José morreu aos sessenta anos, aproximadamente. A
que idade, segundo conta a lenda, a Mãe ascendeu ao Céu na cidade de Saragoça,
ninguém sabe ao certo. O facto é que as misérias que
Herodes obrigou os judeus a suportar alimentaram no povo oprimido o sonho
do rei Messias. Que, como todo o sonho, nunca se tornaria realidade, pelo menos
enquanto estivesse nas mãos de Herodes e dos seus filhos para o impedir. No entanto,
o rei Messias veio nascer longe da vista da Corte, numa manjedoura.
Avisados pela «pomba muda das terras distantes», os Reis Magos
partiram da sua Torre do Oriente e correram para depositar aos pés da Sagrada
Família as suas riquezas e o seu saber.
Terão precedido a Sagrada Família no caminho para o Egito, terão financiado
a carpintaria do judeu e terão morrido vendo o Menino crescer?
43
O Nascimento de Cristo.
Estava no Menino. Mas o Menino não o sabia. Ele
descobri-lo-ia entre os Doutores do Templo, com cerca de doze anos
de idade.
Ali, entre os doutores, aos doze anos, Jesus
renasceu. Deus deu-lhe um novo nome: Cristo. Ele era Cristo Jesus de
Yavé e Sião. Ele era o Cordeiro que o seu Pai ofereceria
para a expiação dos pecados do mundo inteiro.
44
A juventude do Messias.
Uma pergunta sem resposta acompanhou o
Menino do Templo até Nazaré. Por que razão o seu Deus o iria abandonar à mercê dos inimigos de
Cristo? Como poderia salvar o mundo das garras do Inferno a partir da Cruz
que os romanos reservavam aos malditos? O que esperava Deus alcançar com
um acontecimento tão trágico? Por que razão iria transformá-lo numa pedra de tropeço
para os seus irmãos e amigos?
Durante toda a sua juventude, Cristo Jesus não deixou de procurar
a resposta a este enigma: Deus iria estabelecer a vitória do filho de Eva
sobre o sangue do filho de David. Porquê?
45
A Doutrina do Reino dos
Céus.
A resposta que Cristo Jesus encontrou foi esta. Deus
abolirá o Império e, em seu lugar, fundará um Reino Universal. E concede a todas
as criaturas a liberdade de aderir ou recusar a adesão ad eternum ao seu Reino. A Coroa deste único Reino brilha na
Cabeça do seu Filho Amado, Jesus Cristo.
Quem acredita no seu Filho
é declarado cidadão do seu Reino aqui e agora, e quem rejeita esta
Revolução Divina fica sujeito ao Juízo Final.
De todas as medidas que, na sequência da Terceira Guerra
Universal, Deus adotou contra o Inferno, esta é a Pedra Angular. As outras
medidas decorrem da própria História do Cristianismo.
EPÍLOGO
Assim, Deus e a Lei são uma Realidade Indivisível,
Incorruptível.
Antes de estabelecer a Pena de Morte, equivalente ao Exílio
da Criação, YAVÉ, DEUS PAI, quis dar a conhecer aos seus filhos a
Natureza do Inferno para onde seriam lançados caso voltasse a ser declarada uma
guerra entre irmãos. Elevando a Lei à Natureza Divina, YAVÉ, DEUS, acreditou
tornar os seus filhos mais fortes perante a Morte. Ninguém pode esquecer que ELE é
o Único Ser Não Criado que conheceu a Eternidade e o Infinito antes da
Criação do Novo Cosmos. Ninguém deve esquecer que a Sua Personalidade foi forjada
nos Fogos da Ciência do Bem e do Mal, face à Morte, e traçando
o seu caminho de mãos dadas com a Sabedoria.
O Seu Desejo de Criar Vida à Sua Imagem e Semelhança foi
o Princípio da revolução que O levou a tornar-Se o Criador de Galáxias,
Universos e Mundos. Ninguém pode esquecer que ELE é o Senhor do Infinito e da
Eternidade; ninguém deve permitir que o Amor do Criador pela Sua Criação cegue
os olhos de quem, tendo sido adotado como filho, se acredita com o direito de ser um
deus «à imagem e semelhança» do seu próprio conceito do que é ser um filho
de Deus.
Abrir o Cosmos aos seus filhos, ver o Criador, PAI e
FILHO, em ação, teve também o sentido de abrir os olhos de todos sobre a
Natureza do seu Unigénito, JESUS, sobre cuja Natureza Divina se tinha
levantado a Dúvida entre os filhos de Deus, Dúvida que devia ser silenciada ao ver
Deus no seu Filho.
«Deus Verdadeiro de Deus Verdadeiro» é a Confissão de toda a
Criação, registada pela Igreja Católica Romana, nascida para ser o
Templo em que esta Verdade vive para toda a eternidade.
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PORTAL PORTUGUESA REVOLUÇÃO INTELECTUAL DA ESTRELA DA MANHÃ |
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a verdade gerará a justiça e a justiça gerará a paz |
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